Aquele quebra-gelo foi fundamental para ela relaxar e saborear um lindo “primeiro encontro” novamente depois de tanto tempo…

As horas passaram voando e ela e André disfrutaram normalmente o bar, a companhia, as cervejas e as carícias trocadas. Era um bar que ela conhecia de nome, mas André era bem conhecido por ali. Os garçons comentavam situações cotidianas e isso a fez lembrar que ele sempre havia sido assim – frequentador nato de botecos e sempre com uma conversa simples-educada-divertida que contagiava a todos ao redor e os faziam próximos, mesmo não sendo tão próximos assim. Ela sorria e sem notar, mesmo com as poucas cervejas estava levemente embriagada.

Soube disso no momento que se pegou olhando o rótulo da cerveja, enquanto André ia ao banheiro, e fazendo contas mentais sobre quantidade de álcool, mililitros e comparando com as quantidades “brutais” (porque ela nunca considerava a possibilidade de ser uma alcoólatra brutal) que estava acostumada nos seus fins de semana. Ele voltou e a pegou analisando o rótulo achando graça da cena toda.

“Essa é um pouco mais que as normais. Acho que 6%. Mesmo com as 5 garrafas que tomamos, não te dará ressaca. É mais que seu vinho, mas quase igual. Vou pedir uma água para você.”

“Ah! Não. Quer dizer… Tá. Água é bom. Mas eu estou levemente embriagada sim.”

“Convidativo isso… BROW, uma água gelada aqui? Pode ser a grande que amanhã preciso aguentar meu chefe…” ele emendou duas conversas em uma única para chamar o garçom.

“Convidativo Dé? Agora você se aproveita de mulheres embriagadas?”

“Só quando eu já beijei antes…”

“Assédio isso. Posso gravar isso e jogar no ZAP”

“HAHAHAHAHA… Você sabe que jamais faria isso. Nunca desrespeitei ninguém…”

“Eu sei. Por isso topei sair com você. Não acho que esteja embriagada. Mas leve. Obrigado. Juro que nem em meus maiores sonhos eu me sentiria assim ‘logo’ depois…”

“Vai me contar o que aconteceu ou prefere não mexer?”

“Agora não. Deixa curtir minha embriaguez alegre. Eu te conto. Sem segredos e joguinhos era nosso lema. Podemos continuar na mesma pegada?”

“Eu nunca pensei em mudar minha pegada. Disseram por aí que é meu maior atrativo. Para que mudar o time que está ganhando né?”

“E ganha há muito tempo?”

“Ah! Ganho algumas, perco outras. Mas tá tudo bem… Nem é o papo. Mas você sabe como é. Sou do vento e do mundo. Sopro aqui e amanhã mudo para lá. Isso não mudou e estou bem assim.”

“Entendi o recado. Nem penso em outras coisas…”

André era assim. Era do mundo. Ele sempre estava “COM” alguém, mas nunca o suficiente para ser considerado “DE” alguém. Havia um mundo de distância entre as duas conjunções e isso Mari sabia muito bem. Ele era respeitoso, presente, amigo, confiável, completamente aberto para tudo, mas nunca seria de alguma pessoa. Mesmo ela pensava que a ideia de André ter alguém fisicamente ligado 100% a ele, era impossível ou completamente fora do que ela o conhecia e enxergava nele. Mesmo assim, ele transformava todo o redor em algo tão leve e prazeroso que era impossível negar que sua energia, alma ou o que quer que fosse, contagiava e lhe dava a impressão que aquelas horas – ou pequenos momentos – seriam divertidos, seguros e completamente prazerosos.

Eles pediram a última cerveja e ele fez questão de pagar a conta.

“Eu pago essa porque aqui é tranquilo. A próxima é sua, porque vamos em algum lugar mais chique e eu vejo o retorno do investimento.”

“Como se você ligasse para lugares finos e tomar cocktails com nomes exóticos.”

“Claro que ligo. Ainda mais pelo valor. Quando estou nessas situações, sempre escolho o mais caro. Nunca olho o nome…”

“E quantas vezes esteve nisso?”

“Nunca HAHAHAHAHA”

“Mas é um besta mesmo…”

Eles voltaram ao carro dele e começaram a se beijar mais forte, intensos e com claras intenções de não terminarem a noite ali ou logo depois.

“Sem querer forçar, mas quer ir para algum outro lugar Mari?”

“Minha casa Dé.”

“Ok. Sem problemas…”

“Com você.”

“Ops. Desculpa… Entendi.”

“Não dá para negar minha vontade né?”

“É importante nunca negar vontades… Ainda mais se tratando de você.”

“Não estou como antes, mas acho que ainda sei algumas coisas…”

“Você deve estar maravilhosa como sempre…”

E seguiram rumo à casa dela. Zé abriu a porta e não fez menção alguma de contato ou algo assim. Ela sabia como ele era discreto e com certeza ele apenas comentaria se ela desse alguma abertura para tal.

“Zé, boa noite! O carro dele é aquele ali na frente. Me chama se algo estranho passar?”

“Boa noite dona Mari. Sem problemas. Estarei 100% ligado aqui. Boa noite e bom descanso.”

Ela pensou em dizer alguma piada como “descanso eu ainda não terei”, mas preferiu deixar isso para uma próxima vez. André a seguia e aparentava uma calma de quem já passou por 100x aquela mesma cena. Ela pensava isso e logo apagava de sua mente, porque sabia que era esse o jogo e ela sabia muito bem onde estava pisando. “Siga a linha, porque o redor é rodeado de bombas…” – esse era o lema a seguir.

Ao chegar ao apartamento, eles tomaram mais um pouco de água, ela apresentou um pouco do seu apartamento, ele a elogiou pela conquista, pela decoração e pelas ideias de móveis/aproveitamento de espaço que ela teve, e seguiram logo para o quarto e o clima esquentou.

Ela não transava há pelo menos dois meses. Engraçado como o tempo sem sexo se apaga quando se está em uma relação longa. Ela não se lembrava da última vez com seu ex. Não lembrava se tinha sido boa, sido normal ou sido automática como tantas outras. Ela se esforçou por alguns minutos na lembrança, mas logo esqueceu tudo e se entregou ao prazer do momento.

André estava muito melhor que em suas lembranças. Ele a chupava com vontade, cadência e urgência ao mesmo tempo. Era uma mescla interessante que a fez gozar em poucos minutos e a reviver um prazer que há muito tempo – esse que ela nem pensou em relembrar – não tinha. Ela a chupou pouco, mas logo começou por cima e controlar o quanto do seu pau entrava nela e encontrou o movimento perfeito para sentir o maior dos prazeres. André chupava seus seios com uma vontade louca e logo os dois gozaram mais uma vez fazendo o mundo escuro por alguns segundos, mas completamente inundados em um tesão indescritível.

Ficaram algum tempo se acariciando e conversando sobre banalidades pós-sexo que sempre eram desnecessárias, mas inocentes do ponto de vista moral. Ela deitada em seu peito e ele acariciando suas costas com a ponta dos dedos. Os dois melados um do outro e relaxados do alívio existente no final…

Já eram quase meia-noite quando ele foi embora. Ela o convidou a ficar e dormir, mas ele negou dizendo que o dia seguinte seria complicado e preferia acordar em casa e se preparar para o trabalho de maneira rotineira. Ela também preferia assim e os dois se despediram com um beijo longo e com a clara intensidade que seria o primeiro de muitos sexos entre os dois nos próximos meses…

“Me avisa assim que chegar? É bobo, eu sei, mas só para eu ficar tranquila.”

“Ou eu aviso ou o Zé te interfona.”

“HAHAHA besta. Me avisa…”

“Sem problema Mari… Assim que chegar em casa. Vai dar uns 10 minutos, porque agora nem vai ter trânsito.”

“Ok. Vai com cuidado. Adorei. Obrigado pela noite. De verdade.”

“Obrigada você. Foi delicioso como eu imaginava. Repetimos?”

“Quando você quiser.”

“Agora?”

“Agora ela tá um pouco sensível. Melhor não… Mas amanhã ela estará pronta.”

“HAHAHAHAHA delícia. Nos falamos. Boa noite, dorme bem. Te aviso daqui a pouco”

Ele se foi e ela aproveitou para tomar um banho e relaxar ainda mais. Arrumou a roupa do dia seguinte, porque iria dormir pouco e cada segundo era importante de sono. Escovou os dentes e saindo do banheiro ouviu o celular vibrar. Pensou que fosse o André, mas para a sua surpresa era Pedro.

“Oi sumida! Tudo bem?”