Esse mês completo cinco anos de Um Confessionário. Um espaço que criei do nada e virou a minha obrigação mais prazerosa de fazer…

De 1999 até 2013 eu tive o Melancholy Sickness. Foram 14 longos (e difíceis) anos que comecei a externar meus pontos e vontades através de textos e poesias românticas, abstratas, juvenis e inexperientes. Criei muita coisa boa e alguns textos eu repaginei para entrar aqui inclusive. A Melancholy Sickness me abriu portas que eu jamais havia pensado existir. Participei de grupos de poetas, saraus, ajudei em publicações, revisei e criei livros, fiz amigos tão intensos como temporários (talvez tenha aprendido com eles), etc e etc etc…

Eu tinha uma ideia de vida muito “limitada” (visto que eu tinha menos de 30 anos) e o fim da Melancholy Sickness sempre existiu no meu horizonte. O plano, infantil e bobo, era que a Melancholy Sickness fosse um lugar que contasse, em detalhes abstratos, a busca do amor. Do início ao fim. Ou seja, eu terminaria a Melancholy Sickness quando eu “casasse com a mulher amada”… Sim! Eu era um jovem sonhador.

Claro que a vida foi se mostrando cruel, como eu contei já aqui na série de “Como Cheguei Até Aqui” e aconteceu que eu não casei e fiquei perdido nessa busca interna/externamente também… Com isso, a Melancholy Sickness ficou “perdida no limbo” durante MUITOS anos (fato é que entre 2008 e 2009 eu escrevi apenas 15 textos!). Em 2012 eu resolvi apostar novamente no caminho – agora mais claro e conciso – recriando meus passos e sem um fim que encontrasse nada, apenas fizesse sentido na conclusão. Em 2013 eu finalmente acabei com ela, por sentir que a minha missão de “doença melancólica” havia sido concluída. Como tudo na vida, não foi perfeita porque isso não existe.

Depois de 14 anos no lado romântico/abstrato/platônico, me sentia farto desse universo e queria arriscar outros estilos. Mais pessoal, mais claro e objetivo, mais sarcástico, mais livre… E comecei aos poucos fazendo textos mais longos, usando outras figuras e formas de contar um mesmo fato e por aí vai. Com cerca de 20 textos criados, depois de mais de 3 anos do fim da Melancholy Sickness, criei o “Um Confessionário”…

A ideia sempre foi de ter um espaço que eu pudesse “me confessar” da maneira que eu achasse correta e relevante. Aqui comecei a criar contos e histórias que começaram do nada e ganharam força para mais e mais capítulos. Aqui confessei meus pecados, minhas histórias pessoais, minhas situações inexplicavelmente engraçadas e, claro, relembrar da minha abstração romântica que sempre existiu na minha vida.

Já foram mais de 500 textos (este é o 542º) e com uma rotina semanal e pessoal de pensar nos próximos meses e criar o conteúdo meses antes. Fiz deste confessionário, a minha obrigação mais prazerosa e livre para ser o que quiser. Não, diferente de antes, eu não tenho nenhuma missão com isso. Se amanhã ele acabar, acabou. Aqui é apenas um local que as histórias aparecem e fluem como quiserem e quanto quiserem. Como a própria descrição do site, em algum lugar esquecemos de alimentar nossos medos, esse é a melhor definição dos cinco anos de Um Confessionário…

Parabéns!