Há sete anos eu começava o Um Confessionário. Um blog que reacendeu uma chama que eu temia ser para sempre…

Em 2013 eu parei de escrever. Foi quando eu parei com a Melancholy Sickness – o meu blog literário que existiu de 1999 até 2013. Parei porque não conseguia mais criar minhas (curtas) linhas abstratas e não conseguia mais fazer o jogo de palavras, as rimas impossíveis e combinar as figuras que bailavam na minha cabeça, com o ritmo de um texto que achava interessante e dinâmico.

Foi o princípio de muitos términos.

Assustadoramente eu não escrevi NADA de abril de 2013 até início de 2015. Foram quase dois anos que eu não consegui fazer algo que era meu “normal”. Mais que um hobby, um escape de uma realidade que muitas vezes me pregava peças e me mostrava que o mundo era pior que eu pudesse imaginar. Escrever para mim era brincar de todas as possibilidades, mesmo sabendo que nada mudaria. Era brincar de criar alternativas, novas personagens, novos diálogos e desfechos que jamais se concretizariam – simplesmente porque era fantasioso demais. Era abstrato demais. Era complexo demais.

Até que em 2015 eu me forcei a escrever quatro textos. Foi praticamente uma obrigação para que eu voltasse a ter uma relação com as palavras. Que eu pudesse reatar um relacionamento com um amigo antigo, mais que me conhecia mais do que qualquer outra coisa/atividade/pessoa na minha vida.

E daí eu entendi o que tinha acontecido. Eu tinha perdido a queda de sempre buscar a escuridão ou o lado oculto das palavras para criar meu mundo. De alguma maneira, minha inspiração precisava de luz, já estava cansada de escrever pouco e de maneira intensa. Ela queria extrapolar outros mundos e criar novas possibilidades fora daquele lugar que eu criei, alimentei, vivi e morri.

Era hora de jogar luz nas minhas histórias e usar o mesmo mundo que eu caminhava. Era hora de brincar de contar e ocultar verdades. Lançar o véu de fantasia no meu cotidiano e confessar meus pecados, amores, loucuras e traições…

Surgia o Um Confessionário. O lugar que me daria liberdade de confessar, de contar meus casos, de criar as minhas (e dos outros) histórias. Afinal, quando você se confessa, você se livra do peso de carregar para si todos seus pontos e compartilha para que a luz da salvação (ou o que quer que seja) banhe toda a realidade e traga paz para esse alívio.

Nunca coloquei meta para o Um Confessionário e não seria agora que faria isso. Mas, em 7 anos, mais de 750 textos, 1 livro lançado e 2 revividos, eu me sinto completo para agradecer a oportunidade de encontrar essa (nova) luz e me sentir renovado e inspirado para mais. Não sei se chegarei aos 1000, mas fico feliz de ter mantido a rotina semanal de textos novos e criação de tantas histórias, contos e esse baile literário entre realidade x ficção que engana até a mim diversas vezes.

Parabéns novo e robusto amigo. Obrigado por ter me permitido contar e aliviar tantas frustrações e sonhos por aqui. Obrigado por se manter relevante na minha vida e me mostrar que eu ainda tenho essa chama “maldita” que arde em mim desde os tempos mais primórdios.

Feliz aniversário e que venham mais confissões e histórias para todos que aqui chegarem.