Ela acordou com o celular vibrando às oito e meia da manhã. O visor mostrava uma ligação de André. Ela atendeu ainda sem saber se situar…
“Alô?”
“Oi Mari! Que houve? Você está bem? O que aconteceu?”
“Oi Dé. Bom dia…”
“Tá tudo bem? O que aconteceu?”
“Tá tudo bem… Não aconteceu nada de mais.”
“Você me mandou mensagem Mari. Acorda aí. Onde você está?”
“Eu estou em casa. Sim, desculpa te mandar a mensagem. Talvez tenha te assustado.”
“Claro que assustou. Por que foi no hospital?”
“As dores pioraram. Eu acordei eram quase 2h da manhã e não aguentava de dor…”
“E o que aconteceu? Não era cólica então? Era algo pior?”
“Sim. Em partes…”
“O que foi Mari? Conta”
“Eu estou com herpes André.”
“O QUÊ? Como?”
“Herpes Dé. Herpes. Eu peguei…”
“Mas como assim você pegou. Eu não tenho herpes”
“Não? Certeza?”
“Absoluta. Na empresa eles fazem exame periódico e eu sempre peço o adicional para as DSTs. Apenas por precaução. Eu fiz há duas semanas, lembra? Até te mandei as fotos, porque detesto fazer essas coisas, mas não tem jeito. O resultado saiu e está tudo negativo.”
“Humm…”
“Humm o que Mari? Está achando que é mentira?”
“Não Dé, mas era uma possibilidade, entende?”
“E por que eu e não outro cara?”
“Que outro cara André?”
“Mari. Não me faça de otário né? Agora se pega herpes por qual razão?”
“Existem várias maneiras de se pegar herpes.”
“Claro. Talheres infectados que você passou na sua buceta, todo o sentido do mundo!”
“Estamos conversando ou brigando?”
“Você que me acusa de algo e me coloca como única pessoa responsável.”
“Você pode não ter manifestado e passado para mim…”
“EU NÃO TENHO HERPES, CARALHO!”
“Ok Dé… Eu tenho.”
“Que pegou de algum cara. Não vai admitir?”
“Não tem porque admitir…”
“Claro. Você me coloca em risco e não tem porque admitir. Claro Mari. Todo o sentido do mundo, de novo!”
“Então eu não sei como eu peguei…”
“Ah isso. Beleza então. Puta que pariu!”
“O que foi?”
“Mari a gente não tem nada oficial. Como sempre te falei, temos respeito um pelo outro. Nos últimos meses eu saí com uma menina, uma vez, e nem sexo rolou. Foram só uns beijos, algumas semanas depois do aniversário do Renato. Ou seja, a gente nem tinha saído direito. E mesmo se eu tivesse transado com alguém, eu encapo meu pau. Eu me cuido bastante. Não sou louco doente. Agora claramente você não teve só eu, e está tudo bem. Mas porra! Você está com HERPES, CARALHO! Por que não admitir que teve um outro cara e transou sem camisinha?”
“Porque eu sempre transei com camisinha. Não sou vagabunda.”
“Agora admitimos que tivemos outros caras?”
“André, não sou vagabunda.”
“E você ligou para eles também?”
“Que eles André? Que plural é esse?”
“Você só ligou para mim? Por quê?”
“Porque eu me importo com você André. E você é o parceiro mais frequente que eu tenho e que…”
“E agora sou o único suspeito de ter te passado herpes.”
“Não.”
“E o outro cara?”
“O que tem?”
“Ele ainda não te ligou ou você não mandou mensagem?”
“Não André”
“Então fala com ele. Eu estou tranquilo que não te passei nada. Você não quer acreditar, foda-se! Eu sei como trato o meu pau e como eu cumpri meu trato contigo. Sempre te respeitei…”
“Menos agora…”
“Menos agora porque você não tem a capacidade de me contar a merda de uma verdade.”
“Eu não te acusei André.”
“Ah claro que não! Verdade, eu entendi errado. Desculpa!”
“Eu comecei o antiviral ontem, ou hoje, sei lá. São sete dias. Eu comprei duas doses. Se você quiser tomar por precaução, eu te levo aí”
“Foda-se! Eu me viro se tiver algo. Não preciso disso…”
“André…”
“Tchau Mari! Espero que você tenha decência e converse com o cara que te passou isso. Melhoras.”
“André…”
E ele desligou…
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