Os cheiros das conversas regadas pela cerveja e sol escaldante, com o abrigo das poucas árvores que guardam sorrisos…
Não tinha nome, mas todos a conheciam. Era ela a responsável pelo descanso no meio da manhã, das brincadeiras dos pequenos e futuros donos do bairro. Era ali que se juntavam os trabalhadores com latas de cerveja para uma conversa amistosa e embaralhada em muitas coisas. Era ali que os mais velhos avistavam e guardavam os seus segredos. Era ali que acontecia de tudo um pouco – de coisas simples e até indescritíveis. Era uma praça sem nome e sem destino, mas que estava na rotina e na escolha de muitos moradores.
Uma praça que guardava o beijo roubado, a promessa de retorno, o sonho da vida adulta, as piadas locais que eram sempre relembradas, a casa do louco, o acesso dos que não possuíam nada e a esperança por um descanso dos que estavam sempre cansados.
Certa vez uma turista tentou tirar uma foto da praça. Tentou escolher um ponto apenas para eternizar no seu arquivo…
Um grupo de senhoras ria vendo a cena. “Desista minha filha. Se você quer uma foto, é melhor fazer um desenho. Nada daqui vai sair bem…” e eu, passando apressado com as compras da semana na mão perguntei a razão. A velha senhora me respondeu “Porque essa praça se vive, não se guarda…”
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