E acaba o ano mais esquisito de nossas vidas, mas, ainda assim, 2020 pode deixar saudades…

Um ano que começou como todos os outros – cheio de esperança, alegria e mil planos para projetos pessoais e profissionais. Porém, ninguém pensou e/ou se programou para que, logo em março, todas as folhas fossem rasgadas e sopradas para um tempo indefinido. O que seriam duas semanas, passou para um mês, para dois, para três e, o tempo virou uma indefinição tão distante quanto é o amor. Ainda hoje, ainda sentimos um receio e um estranhamento, quando não vemos a máscara na frente do rosto.

Foi em 2020 que muita gente se desesperou, mas que também relembrou o que se chama ajuda. Foi um ano que os principais cuidados foram relembrados e que serviu para vermos que muita gente não lavava a mão. Foi um ano de se reinventar, mas que abriu algumas oportunidades que há anos estavam fechadas e esquecidas. Foi um ano que muita gente tirou do papel muitos planos e teve tempo de desenvolver todos seus talentos.

Confesso que nesse último ponto eu fiquei devendo. Quando começou toda a pandemia, eu tentei criar planos e tornar realidade muita coisa que estava pensando, mas não consegui. Não tinha a inspiração certa e foquei minhas energias em mudanças físicas. Saí de Lisboa e vim para Barcelona. E toda essa correria e energia foram gastas para que me adaptasse da melhor maneira na cidade que eu sempre quis viver… E, depois de muito temer, o verão espanhol foi vivido até que de forma satisfatória.

O engraçado é que por mais esquisito e nebuloso que 2020 foi, muita coisa aconteceu e a gente perdeu a noção do tempo. É difícil acreditar que algumas coisas foram feitas em fevereiro ou março – quando paro para pensar, parece que aconteceu há uma década. Mas ainda assim, 2020 deixa saudade. Deixa a saudade da normalidade que a gente encontrou em ficar em casa, das muitas facetas que criamos para não enlouquecer ou sair da linha e de como é possível se reinventar, mesmo em uma situação desesperadora. 2020 foi nebuloso e creio que 2021 não conseguirá ser pior, mas vamos levando o possível e impossível…

Que venham mais histórias, mais poesias, mais confissões, mais desabafos e desafios para que a gente lute, aprenda e caminhe sempre para frente.

Feliz ano novo!