E é quase impossível escrever, explicar e pontuar momentos difíceis que convivemos com essa distância de quem sempre amamos…

Vivo longe da minha família. Sim, foi uma opção minha construir essa vida longe. Foi um momento difícil de decidir, mas que aconteceu e eu sabia que seria difícil, mesmo não tendo noção da magnitude dessa dificuldade toda. Também é verdade que tive total apoio para desbravar o mundo, me desafiar e construir meu próprio caminho, onde quer que meus passos me levassem. Mas mesmo assim, é difícil. São aniversários longes. São mini batalhas que ou não participo, ou luto sozinho. São problemas que apenas imagino a aflição vivida por eles e me sinto impotente por apenas ter minhas palavras apoiando.

Mas tudo isso, por pior e difícil que seja, é uma parte contornável. O ponto de maior dor é o abraço na partida. É a incerteza se será o último ou não. É a dúvida que brota na cabeça se algo vai mudar durante nessa apneia de mais de 300 dias que vivemos até nos reencontrarmos novamente. É a falta de olhar ao redor e não saber quem estará no retorno…

E é nessa hora que faltam palavras. Falta saber o que fazer e como reagir, enfrentar e conviver com essa dúvida todos os dias. Naquele momento, o básico ditado que diz para não deixar para amanhã o que se pode fazer hoje, ganha uma força incrível. E quem me vê logo depois, percebe a agonia no rosto de não saber se falei tudo o que queria no momento. Mesmo sabendo que nunca deixei de demonstrar e dizer o quanto amo tudo o que representam na minha vida…

Vivo com essa agonia que consome todas minhas forças e, cada noite que passa, espero que tudo esteja o melhor possível da próxima vez…