Hoje é o aniversário daquela odisseia de 29 quilos de bagagem e um punhado infinito de sonhos e planos abstratos…

Há 5 anos eu chegava na Europa para iniciar uma nova história. Como tudo na vida, comecei com medo, mas entusiasmado o suficiente para nem pensar que algo poderia dar errado. Fui inocente e, como bom ariano, impulsivo para embarcar em um desconhecido que orquestrei durante anos, mas não calculei as inúmeras consequências da realidade que eu ia adentro e estava pronta para me levar para as lonas.

Muitas foram as vezes que a realidade me derrubou. Já perdi as contas, nesses poucos anos, das vezes que olhei ao redor e não encontrava motivos para continuar nessa vida. Muitos foram (e ainda são) os momentos que abri as malas e pensei em desistir.

Mas, passado o desespero inicial, eu sempre me levanto. Triste, sozinho, machucado, mas mais preparado. Mais consciente. Mais esperto e cada vez mais “completo” do que antes. Nunca caí pelo mesmo motivo duas vezes. E é essa a essência da vitória. Aprender. Construir uma vida do zero. Olhar para trás e conseguir mensurar – concreta e abstratamente – tudo o que foi conquistado, vivido, aprendido e construído.

Há 5 anos, um Matheus chegava em Lisboa com suas duas malas e partia para um desconhecido tão mortal que, em menos de 5 anos, não existe uma sombra daquele ser por aqui. As cidades já mudaram 4 vezes. Os endereços quase 10. E uma lista imensa de passos que nem nos meus maiores sonhos eu poderia imaginar em conquistar em tão pouco tempo.

Não ouso desejar mais 5, 10, 20 anos por aqui. Seria inocência demais – algo que já perdi em uma das quedas que a realidade me ensinou. Mas não ouso parar de sonhar, planejar e orquestrar uma nova aventura, uma nova possibilidade e uma forma nova de enxergar a minha vida, para que vá evoluindo e aprendendo.

Há 5 anos eu aprendo muito. Graças a essa loucura absurda que eu escolhi quando decidi largar tudo e começar uma nova vida, no velho mundo e com o doce desconhecido trilhando um caminho praticamente às cegas…