Certa vez estava saindo com uma menina e ela me fez a seguinte pergunta: “Matheus, você já se apaixonou de verdade?”.
O problema já começou na pergunta – da forma como foi feita. Chamar pelo nome não é um problema em quase nenhum momento da vida, mas nesses relacionamentos voláteis, é um sinal que as coisas já estão destruídas. No início beleza, depois do primeiro beijo era “Má”, depois de umas vezes – já dando certos indícios que quer algo maior, a menina até chamava de “Lindo” e daí quando volta para o nome é hora de parar.
Aquele relacionamento em específico era do tipo que aprendemos a evitar com os anos. Quando os dois saem por falta de opção e coragem para falar tudo o que sentem, além de esperar um raio cair dos céus com duas opções na manga: 1) Matar a pessoa – o que em alguns casos seria uma benção – ou 2) Mudar todas as impurezas, gostos, afinidades e senso de humor. Ou seja, já não existia mais nada e ninguém queria ser o pavio mais curto a ceder.
Mas a pergunta me irritou mais do que devia. Por que para mim? O que seria o lance de “se apaixonar de verdade?”. Quem já fez isso e depois viu “o amor morrer” por alguém? É estranho perguntar isso para um cara que você está saindo por dois meses. Eu respondi como “Não sei, mas deveria me apaixonar por você?” e a briga começou…
Foi uma forma errada de resposta, eu sei. Mas, eu tento sempre olhar o contexto da coisa toda. Ela poderia perguntar isso no carro, indo embora, na porra de um MSN (isso existia na época) ou em outro local. Não no bar, 30 minutos depois de termos pedido a primeira cerveja. Ali pareceu uma obrigação chula de testar a paciência – que como a dela, já quase não existia. Mas tudo desmoronou e algumas coisas pesadas foram postas na mesa ao lado da porção de batata com queijo frio…
É estranho questionar esse lance de “se apaixonar”. Parece que vira uma obrigação você sair com alguém e ter que se apaixonar. Em dar chances para a pessoa, em “dar chance para a paixão nascer”. Não funciona assim. Não comigo. Ou bate vontade ou não. E é simples assim. Vontade existe de se envolver, de conhecer melhor. De passar uma noite junto, de conhecer uma semana depois. De sair um mês tranquilamente. Mas muitas vezes essa vontade para aí e não tem que se envolver mais. Não é a vulgaridade do “só quer comer e jogar fora”, porque passa longe disso. Um lance desse pode virar uma amizade, mas sem contato físico. Pode virar um esquema de ter alguém “mais íntimo” para conversar. O que não vira, por pura incompatibilidade de gêneros, é paixão.
Sempre retruco as pessoas que falam que deveria “dar chance para a paixão nascer”, com o famoso “namorar por namorar e daí há alguns meses com saco cheio, trair. Esta é a solução para mostrar que você não é “frio”?”. Se for isso, prefiro ser frio e deixar as coisas claras. Aprendi isso com muitos reais rasgados em discussões – iguais ou piores como a desta noite. Mas o problema é que esses questionamentos existem e perambulam por aí até hoje. Eles aparecem em lampejos, mas sempre dão o ar da graça.
Já me permiti gostar de alguém e dar chance para as coisas rolarem. Já briguei e mudei por conta de algo forte e poderoso para falar “Vale a pena”. Já fiz isso tudo e não deu certo. Mas tentei né? Não acho que foi amor, paixão ou algum outro verbo/adjetivo que tentem explicar ou rotular. Foi algo e ponto. Teve respeito e teve todas as doses de marcas e brigas que isso deveria deixar quando se foi. Quase um furacão, mas ainda assim não com este rótulo.
Também já tive aquela vontade de implorar para a menina me dar uma chance. Já tentei tudo por um beijo ou um convite simples para um bar e uma cadeira próxima, para dar uma risada com desejo – daquelas bem próximas e mostrando tanto em tão pouco. Já saí e fiquei naquela jogada inocente de corpo para buscar um toque. Já sonhei demais e quis desenhar todas as possibilidades que se desmancharam com o vento ou com a subida da maré. Já passei uma noite olhando o teto e tentando entender se isso era mais forte do que eu. Não era. Bobagem. A gente sempre levanta e passa a encarar as coisas como aprendizado. Sempre! “Ah, mas eu sempre penso nela (ou nele)…”. Isso é carência, não amor. Isso pode ser um carinho monstro, mas não é paixão. Nem adianta se enganar. Não é triste, é normal. O importante é enxergar isso e continuar a estrada. Acho que uma hora tudo se encaixa, sem desespero ou problemas. Pode demorar muito, mas é melhor demorar e ter a certeza, do que ficar tentando com um monte de gente estranha para você e só aumentar o desgaste.
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