A vida seguiu seus passos e ela chegou ao mês seguinte reservando toda loucura frenética que ela não imaginaria meses antes…
Ela se sentia totalmente tranquila, feliz, leve e sem nenhum peso em sua consciência. O trabalho fluía em seu ritmo normal – alguns incêndios e problemas para resolver, mas nada que alterasse sua vida e sua cabeça. O seu “rolo” – até porque não conseguia achar outra palavra que definisse mais precisamente o que estava acontecendo – com o André seguia seu ritmo normal e sem cobranças. Eles se viam geralmente de sexta-feira a noite e aproveitavam para transar e depois saírem para algum lugar para beber, conversar e relaxar. Eles nunca dormiam juntos e isso a tranquilizava em partes. Entendeu que não teriam nada muito profundo, mas uma transa boa, com um amigo e que pudesse falar abertamente sobre qualquer coisa, era o melhor que ela podia pedir no momento.
Com Pedro era o oposto. Não haviam se falado desde aquela quinta-feira. Ele não mandou mensagem perguntando nada e nem ela puxou nenhum assunto. Como os dois estavam “em seus relacionamentos”, o silêncio era normal. Mas ela sabia que na semana seguinte ele mandaria algo, porque o congresso começaria na segunda-feira e ele daria mais um “oi sumida” para agendar as coisas. Ela esperava isso quase sem entusiasmo, mas gostava das transas – que sempre foram o motivo principal daquele esquema com ele.
Faltavam dois dias para o congresso e sua “semana intensa” e ela estava começando a pensar em como manejar tudo e tentar não parecer acabada para as reuniões e tudo o que envolvia sua vida profissional, quando Marta surgiu na sua sala no final da sexta-feira, pouco antes dela ir embora.
“Tudo preparado chefa?”
“Quem dera fosse chefa de algo. Mas as duas apresentações sim. O Artur ficou de terminar as outras coisas e ainda bem que não estou mais no operativo, mas a Manu disse que os stands estão perfeitos e os equipamentos chegam amanhã. Essa parte não tenho nenhuma saudade.”
“Ah imagino! Que bom… Então, já que você está tensa, que tal se fossemos no Emma hoje? Vai tocar uma banda de um amigo e sempre acaba meio cedo. Só para descansar um pouco da cabeça…”
“Nossa! Anos que não vou no Emma. Ainda existe?”
“Sim! É a mesma coisa de sempre, mas eu gosto de lá…”
“Ah… Eu gostava também. Que horas?”
“Eles começam a tocar umas 21h. Eu estou pensando em chegar umas 20h, pegar uma mesa e tudo mais… Depois certeza que volto para casa antes de virar abóbora.”
“Hmmm… Deixa eu ver um negócio e te mando mensagem. É que em teoria eu tinha um plano para hoje…”
“Chefa com date?”
“Não chega a tanto, mas o caminho é esse…”
“Tá. Me avisa e aí qualquer coisa vamos juntas. Vou indo agora, te espero então…”
“Ok! Eu te aviso até umas 18h no máximo. Até mais tarde…”
Marta saiu da sua sala e ela voltou para terminar os últimos ajustes para finalizar o dia. Abriu o WhatsApp e enviou mensagem para o André.
“Oi Dé! Tudo bem? Deixa eu te perguntar… Teríamos algum plano hoje?”
“E ai lindinha! Tudo ótimo e você? Por mim seguiríamos o nosso script, mas surgiu algo aí?”
“Uma amiga do trabalho me chamou para ir a um bar que uns amigos dela vão tocar. Faz tempo que não saio com ela, poderia ser uma boa para mim… Mas, com você sempre é bom. Então daria prioridade para nosso script delícia.”
“Ah relaxa! Se você quiser mudamos o dia do script. Amanhã só tenho o futebol normal. Poderíamos nos ver depois na parte da tarde e curtir um pouco os bares sem ser de noite. Por mim tranquilo. Zero problemas…”
“Tem certeza?”
“Opa. Lógico…”
“De amanhã eu topo sim. Sempre!”
“Só não bebe muito e acorda de ressaca… Mas também relaxa de verdade. A gente adapta se for o caso…”
“Não vou beber muito não e volto cedo para casa. Prometo”
“Perfeito! Amanhã nos vemos. Divirta-se”
“Beijo lindo! Até amanhã”
Com tudo resolvido, ela enviou uma mensagem para Marta confirmando a ida. Combinaram de irem juntas e Marta passaria em sua casa e iriam juntas. Ainda bem, porque como Marta voltaria cedo para casa, ela poderia beber tranquila e ainda ganhar uma carona de volta. Tomou um banho, abriu um vinho e esperou sua colega do trabalho avisar que estava chegando.
O Emma era um bar como tantos outros. Pequeno, com um palco no fundo e uma temática que sempre passava algo de motoqueiros, estátuas estranhas, quadros indecifráveis e TVs passando desde clips antigos até partidas de futebol que ninguém prestava atenção. Ela tinha a sensação que se passassem filmes pornôs naquelas TVs, ninguém repararia do mesmo jeito. Apesar do nome, o Emma era simpático porque o pessoal que frequentava tinha mais ou menos o mesmo intuito. Tomar uma cerveja com amigos, ouvir uma banda – que sempre tocam as mesmas músicas, mas em ordem diferente – e relaxar um pouco da vida cotidiana. Não era um bar que você fosse para paquerar ou algo do gênero. Ali a vibe era outra e mais tranquila, em partes. E ali estava ela, tomando cerveja com Marta, conhecendo algum dos seus amigos que teriam idade para serem quase seus pais e rindo de tudo que estava ao redor. Era uma felicidade palpável que ela não experimentava há algum tempo. A banda começou pouco tempo depois e elas foram para mais próximo do palco para “curtir melhor o som”, palavras de Marta, mas que ela estava OK porque preferia ficar sentada que o som seria exatamente o mesmo. Riu sozinha do seu “pensamento de velha” e ficaram ali cantando as músicas de sempre.
Depois de algumas cervejas, que ela e nem Marta poderiam dizer exatamente quantas haviam tomado, elas notaram em dois rapazes próximo a elas que estavam naquele típico cenário de paquera onde tentam estabelecer algum contato ou algum sinal de abertura para se apresentarem. Elas sorriram e eles chegaram mais perto e começaram a conversar. Conversar, próximo ao palco, com toda aquela gente e gritarias bêbadas, sempre era um trabalho difícil. Ainda mais para ela que há pouco mais de 2 meses, nem imaginaria estar ali agora – ainda mais sendo xavecada. Então ela tentou se esforçar ao máximo para compreender o que Ivan estava tentando dizer. A banda fez um intervalo, o que ajudou para que eles pudessem conversar e se entenderem melhor. A conversa nunca era tão profunda nesses momentos, porque a razão de se conhecerem ali era totalmente outra. Ivan era da área de TI, tinha a mesma idade dela, mesmo ela não dizendo a idade, e era de outra cidade. O seu estilo era interessante e despojado. Meio relaxado e sem muito saber o próximo passo. Ele era divertido e tinha uma ironia que encantava. Não demorou muito para eles se beijarem e ficarem mais próximos.
A banda voltou, eles continuaram se beijando e tentando aproveitar o quanto dava do espaço e do momento. Ivan tentava a cada beijo ou encaixe de corpo, “educadamente” pensou ela, descobrir melhor seu corpo e ela notou que ele estava com alguma vontade além. O beijo dele era intenso e tinha um encaixe que ela não esperava encontrar. Era como se fosse um mix do André com o Pedro, mas mais intenso e ela não saberia explicar o porquê.
Ele sugeriu pagarem e irem ao menos lá para fora para poderem ficar mais à vontade. Marta estava também com seu amigo, que ela não se lembrava como se chamava, e não quis atrapalhar a situação. Pagaram a conta e ela avisou Marta que já estava indo e que iria de uber qualquer coisa. A amiga queria esperar a banda acabar e então se despediram.
Ela e Ivan foram até o estacionamento para o carro dele e ficaram ali com beijos e amassos mais intensos. A vontade foi aumentando exponencialmente e ele sugeriu irem para outro lugar mais tranquilo. Ela estava um pouco bêbada, mas com alguma vontade que ela não sabia explicar. Sabia que era uma loucura completa, mas estava a ponto de curtir aquele momento de todas as formas possíveis e não deixar o tempo minguar. Era quase uma urgência. Era ali e agora. Enquanto ele dirigia, ela abriu as pernas e deixou que os dedos dele ficassem melados com sua vontade. Não deu muito tempo para pensar. Ele parou o carro em uma rua deserta e tirou o pau para fora. Ela pulou para o banco de trás e começaram a se esfregar. Ele colocou a camisinha e no escuro começaram a transar de forma mais intensa e forte. Pareciam adolescentes, mas com uma vontade mais completa e adulta. Eles gemiam e ofegavam ao mesmo tempo, era aquela urgência que a fez a gozar, arranhando suas costas e contorcendo o corpo. Ele a colocou de bruços e ela pode sentir mais tesão. Estava incrivelmente melada e sentia um prazer que ela desconhecia. Ele gozou na sua bunda, melando e mostrando o quanto de tesão ele também estava.
Ficaram ofegantes e rindo da loucura que estavam fazendo. Ele tinha uma toalha no carro e a limpou. Ficaram se beijando um pouco mais e ele a levou para casa. Se beijaram mais uma vez na porta do seu prédio e ela passou o seu celular. Ficaram de se falar e marcar outras coisas quando ele estivesse novamente na cidade.
Ela entrou no seu apartamento já eram quase 3h da manhã. Tomou um banho e deitou para dormir.
“Em casa e nem estou tão bêbada. Amanhã estarei inteira” era a sua mensagem para o André. Ivan não havia mandado nenhuma ainda e ela dormiu satisfeita e alegre pelas loucuras da vida.
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