Ela decidiu se fechar para o mundo e se curar de uma maneira perigosa, mas que surtiu um efeito não esperado…
Ela sofreu daquele luto por quase uma semana. Decidiu que quando a dor fosse embora, ela enfrentaria os seus fantasmas e seguiria a vida não baixando a guarda para o abismo alcoólico de antes. Não foram semanas fáceis, mas depois de quase um mês ela já estava em outro astral. Ao menos uma vez na semana, saia com Marta e outras antigas amigas para se divertirem sem pensar em relacionamentos. Sentia vontade da rotina sexual que tinha com André, mas estava ainda se redescobrindo na solteirice e queria curtir mais seu momento atual.
Falando nele, há algumas semanas eles se reencontraram no mercado e tiveram uma conversa amistosa e cordial. Não marcaram de sair, não se falaram por mensagem ou coisa do gênero, mas Mari se sentiu aliviada de ter colocado um “ponto final” brando e tranquilo naquela relação que tanto a ajudou nos meses anteriores.
Ela criou uma rotina de exercícios e agora estava sempre ocupada com alguma coisa da academia. Fazia aulas, natação e sempre que possível participava dos “desafios” que eles propunham. Tinha feito algumas amizades com um pessoal da sua idade que levava o exercício em um nível sem exagero. “Isso aqui é passatempo, não loucura para ganharmos competições.” Era o mantra que suas amigas e amigos repetiam. Era divertido porque sempre depois desses desafios, eles “compensavam” no boteco próximo com porções e cervejas. Enfim, o equilíbrio da vida.
Os finais de semana, quando não vivia esses desafios, eram preenchidos por passeios com as amigas e viagens curtas para conhecer cidades vizinhas e fugir um pouco da rotina sempre igual de sua cidade. Sempre encontravam uma festa ou evento qualquer para ser a desculpa perfeita de buscarem uma pousada e voltarem mais relaxadas e com histórias para contar.
Ela se fechou por quase seis meses para relacionamentos. Nesse tempo se aceitou como pessoa e entendeu suas necessidades, gostos e vontades. Agora buscava um equilíbrio que ela sabia ser difícil, mas que não custava tentar sem parecer pesada demais. Começou a se aproximar, ou melhor dizendo, se deixou aproximar, de Carlos. Carlos era da sua “turma” da academia, tinha 4 anos a mais que ela e parecia já ter vivido quase tudo na vida. Era divertido, sempre com uma história para contar e com um olhar que decifrava seus pensamentos de uma maneira tão leve e tranquila que ela se deixou embalar.
Não foi surpresa quando ele a convidou para um jantar em um sábado a noite e ela aceitou sem pensar duas vezes. Do jantar, foram para um bar que tocava rock e ali se beijaram pela primeira vez. Sem pressa, sem necessidade de transar logo depois ou ter qualquer loucura. O ritmo que ela imaginava, parecia ter encontrado. Transaram na segunda vez que saíram, na quarta-feira seguinte que era véspera de feriado. O sexo foi bom. Ela não queria comparar, mas era diferente em tudo. Não era louco como o Pedro, nem tão intenso quanto André. Parecia mais como o do seu ex, mas mais picante. Era diferente e ela gostou do que viveu.
Ficaram conversando por horas. Contaram de algumas situações, de alguns medos e ela se sentiu a vontade para expor situações talvez complexas, mas necessárias. Carlos apenas sorria e complementava suas histórias como se soubesse como ela se sentia ou como agiria em determinados momentos. Era uma espécie de conexão que ela achou engraçado ter com alguém “que mal a conhecia”, mas que estava ali na sua frente e permitindo que ela compartilhasse seus momentos também.
Ela não sabia como iria continuar ou quais seriam as reviravoltas que lhe esperavam na esquina. Mas também pouco importava. Ela estava feliz de verdade. E suas mudanças, que começaram há pouco, deram os primeiros e poderosos sinais que seriam bastante duradouras…
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