Há dez anos eu perdia o meu grande amor e a razão de muitos dos meus sorrisos involuntários…

Talvez eu temesse que esse momento fosse chegar, mas creio que depois de uma década sem sua presença, é hora de te deixar descansar desse bendito dia 5 de fevereiro. Hoje eu decidi que é a última vez que vou relembrar esse dia e externar todos os pensamentos. Como diria o Gaslight Anthem – essa é a definitiva última carta para você…

Mas isso não quer dizer que não lembre de você quase todos os dias. Sua foto ainda é a única que tenho coragem de deixar em um porta-retrato ao lado da minha cama. E ainda falo com ela, torcendo para que você escute onde quer que esteja.

Ainda é doloroso lembrar dos últimos momentos. E talvez mais doloroso que isso, é ver que cada dia mais algumas lembranças custam à voltar. Eu tento relembrar o máximo, mas a memória já me falha algumas vezes e esses momentos vão nublando cada ano que passe. Duvido muito que perca todas as memórias, até porque ainda comparamos, involuntariamente, sua inteligência e leveza com todas as outras dogas da vida… É até “injusto” comparar, porque sem sombra de dúvida, você foi a mais absurda cachorra que qualquer um poderia ter. E suas manias e jeito de “falar”, ainda são absurdamente racionais…

E hoje é minha última aparição por aqui. Dna Lúcia sempre disse que comemorar aniversário de morte é errado, mas isso era maior que eu. Era a forma que tinha de te homenagear para o além vida – de mostrar que ainda estava viva entre a gente. De mostrar um pouco do tamanho da importância que uma simples cachorra (que nem era simples) faz na vida de alguém… Fiz isso 10 vezes e não me arrependo – faria por muitos anos, mas acho que chega uma hora que talvez te atrapalhe e não quero que nada disso passe para você…

Já pedi perdão por tudo que talvez, egoistamente, te fiz para alargar sua existência conosco. Já pedi perdão por ter sido eu quem deu a última palavra. Já me doeu muito ter sido o último a estar ao seu lado. A dor é enorme a cada 5 de fevereiro. Sempre será. E talvez a insônia e ansiedade que me dá essa semana anterior, seja um reflexo de tudo o que passamos naquelas últimas horas.

Queria ter sido diferente. Nunca escondi de você que queria ter ido antes. Queria ter terminado a vida antes de você, porque ao menos teria a certeza de estar te esperando quando você fosse embora. Hoje, devido ao que acredito de vidas futuras, sei que a chance é mínima de estarmos juntos quando eu pare por aqui, mas se eu tiver qualquer oportunidade de estar próximo de você, eu estarei e você sabe o quanto isso é verdade.

Sei que sabe das angústias por aqui e de todo turbilhão que passamos… Mas saiba que você ainda é intacta nos nossos corações e sempre será.

Termino hoje simples, mas nunca te esquecerei. Obrigado por tudo. Obrigado pelo impossível. Obrigado por se mostrar tão enorme. Até talvez um dia para podermos matar as saudades e os abraços e beijos que você aprendeu tão bem.

Te amo para sempre Mika.

Até o futuro…