Eu ainda era um jovem perdido em muitos sonhos e devaneios complexos demais para explicar, mas que estava preso na realidade de alguns ao meu lado…

É engraçado lembrar da minha primeira viagem à Europa. Os preparativos “certinhos” demais. Os mil planos de realizar os dias com a legalidade correta e se mantendo firme ao esquema financeiro e os demais planos para se preparar para o que estava por vir…

A viagem explodiu a minha mente. Poderia ter desestabilizado do objetivo inicial, de muitos pilares, mas serviu para me conduzir a algo concreto em poder vivenciar tudo aquilo diariamente. Aos poucos, fui pesquisando e entendendo como a realidade funcionava. Querendo ou não, aquela viagem havia me levado à um novo lugar e parte de mim gritava que eu precisava viver aquela “tranquilidade” de outra maneira.

Fui mudando minha vida, atualizando minhas atitudes e acertando minhas direções, para que essas seguissem minha ideia de vida. Nem sempre foi fácil – mudanças, falta de dinheiro, férias de menos e tudo migrando para o mínimo possível. Mas eu ainda tinha aquele plano escrito em um lugar que eu não perdia de vista… E depois de uma tempestade complexa demais, resolvi seguir meus instintos e colocar meus planos e sonhos à prova.

Arrumei o lado financeiro da coisa e o lado profissional para me suportar da melhor maneira possível. Decidi entrar na montanha-russa de viver o que sempre imaginei e perder um monte de outras coisas que estavam na minha mão. Parti de cabeça erguida e uma vontade enorme não de vencer, mas de provar que eu era capaz. Muitos duvidaram. Muitos ignoraram. Muitos, inclusive, me culparam. E naquele momento eu não tinha como explicar o que eu via, porque eu estava ocupado demais no meu objetivo inicial.

Foi tudo o que eu pensava, mas também foi tudo completamente diferente. Descobri que a linha é muito tênue entre o desespero e a completa realização, ou entre a satisfação de estar aqui e o desejo mortal em arrumar as malas para voltar. Já que “vencer” não era um objetivo, eu aprendi. Aprendi a enxergar o que realmente importava. Aprendi que tirar o excesso é melhor do que explicar o inexplicável. Aprendi que a felicidade é grátis e eu não preciso comprar mil coisas para enxerga-la. Aprendi que a falta machuca, mas que no final se o sentimento que nos une é verdadeiro, não existe falta. Aprendi que não existe certo ou errado, apenas o sonho de cada um. Mas o mais importante, eu aprendi a enxergar o fogo…

O fogo que me mantém aqui. O fogo que ilumina meus dias. O fogo que aquece no desespero e ajuda nas melhores risadas. O fogo que mostra o caminho. O fogo que mostra que o meu jeito foi aceito aqui e, pouco a pouco, novas pessoas acabam por se cativar por isso. O fogo que ilumina o passado, mostrando as batalhas vencidas e o quanto a gente “venceu”, mesmo essa palavra não tendo significado concreto… O fogo que me ensina, machucando muitas vezes, mas que logo se acalma e volta ao estado inicial que me mantém aqui…

E por isso que eu não posso jogar desculpas aos ventos ou para meus dias ruins. Eu não posso tentar justificar as minhas lamentações. Eu posso apenas continuar aprendendo e alimentando esse fogo que virou meu melhor amigo – e eu jamais poderia imaginar que um sonho de um olhar maravilhado, fosse me levar à tantos novos idiomas e formas diferentes de vida e de arte abstrata…