Sua estratégia sempre foi esconder a realidade, para que ela tivesse a liberdade para mentir e moldar e se safar de julgamentos…
Ela estava acostumada em levar mais de uma vida. Era o seu normal, entre diferentes momentos, ter seus segredos e poder ser diferentes “personas” no mesmo corpo angelical. Levava essa vida há anos e se sentia bem assim – era feliz, leve e dinâmica o suficiente para sempre aprender e ganhar algo mais com tudo isso.
Diziam que esse estilo cansava, pois você sempre jogava com mais de um perfil na mesma cabeça, mas para ela era o desafio perfeito. Fazia juras de amor na segunda-feira, para fazer outros planos na quinta-feira pela tarde. Arrumava sua mala de viagem de acordo com o estilo do destino e lá se ia resgatando lembranças e criando novos acontecimentos. Em dois dias, voltava a realidade “cinza”, mas já se preparando para um destino um pouco mais azul cristalino…
Quando se cansava, inflava uma desculpa qualquer que explodiria no justo momento que ela estaria deixando aquela cidade para trás. E se refugiava entre outro abraço coringa que ela guardava na sua vasta manga de opções.
E quando a desilusão batia em uma realidade, ela chorava por cinco minutos e depois se vestia da próxima cor, ignorando o passado e fazendo novas juras de amor, agora na manhã chuvosa de domingo…
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