Ele encheu o copo com mais gelo, justo na semana que tinha prometido não beber para se recuperar…

Sorriu para mais uma quebra de promessa. Era apenas mais um caco solto em um corpo completamente quebrado. Ele estava despedaçado em diversos lados, de diversas maneiras e por diferentes motivos. Aquela embriaguez em uma terça-feira de tarde era apenas um pano sujo esquecido no saco de limpeza…

Ao menos ele tentava usar aquela embriaguez para se desapegar das nuances da vida real, conseguir se desprender das obrigações e realidade, para entender todo o cenário de fora. O álcool já custava a ser saboroso, parecia mais uma obrigação forçada ou uma nítida rejeição da quantidade utilizada, mas ele continuava porque ainda não havia encontrado as respostas…

O sol queimava alto, era meio de uma tarde de verão, não sabia apontar realmente o dia, mas ainda era quarta-feira… Ou terça? Já não se lembrava e ria das tentativas em apenas saber onde estava. Correu os olhos pelo ambiente, reconhecendo tudo a sua volta: A cama desfeita, a televisão quebrada, os móveis sujos, as roupas jogadas e os papéis rasgados ganhando uma poeira nova e confusa.

Ele serviu outra dose, colocou mais gelo no copo, desabou no sofá derrubando um pouco da bebida. Tentou fazer uma piada sobre a situação, mas ninguém riu – nem mesmo ele. Chorou como uma criança mimada e entendeu finalmente que tudo havia acabado… Ele sempre foi o principal culpado daquele crime de solidão eterna que criou depois de tudo…