É uma mudança drástica, esperada, mas ainda assim dolorosa em todos os seus sentidos. É o primeiro natal sem meu pai aqui…

É ainda complicado tocar no assunto de maneira normal. É ainda confuso comentar o falecimento que aconteceu há 4 meses atrás, em uma conversa com as pessoas que pouco vemos no ano. É triste tentar seguir uma normalidade que ainda é dolorosa de pensar…

Uma das coisas que minha família sempre ensinou foi que os “dias especiais” eram e sempre deveriam ser todos os dias. Assim sendo, sempre fomos normais com “dia dos pais” ou “dia das mães”, porque não fazia sentido fazer uma “superfesta” ou um evento absurdo, somente no domingo assinalado. O carinho, respeito, admiração e lealdade deveriam estar em nossos passos diariamente, não 1x por ano. Sendo assim, todas as comemorações, eram apenas um almoço a mais, as vezes com mais convidados, mas ainda assim nada surreal. E sim, os presentes eram entregues semanas antes – nunca no dia.

Natal sempre foi um capítulo especial na minha casa. Nunca fomos daquela ideia “tradicional” de esperar até meia-noite para ceia ou convidar 109372632197329 pessoas para dentro de casa e ficar naquela celebração cansativa. Nada disso. Sempre fizemos algo nós 4, as comidas eram as mais variadas e “bizarras” possíveis no horário normal e muitas vezes (MUITAS VEZES) a gente já estava dormindo às 23h. Presentes? Várias vezes eu ganhei meu presente de natal em novembro – porque surgia uma promoção e já se aproveitava ali. Como agora estou morando fora, eu compro pela internet no início do mês e já entregam, assim todos aproveitamos nossos presentes o mês todo…

Mas enfim… É aqui que a coisa fica mais complicada. Como sempre fomos poucos, agora somos menores e a dor e a falta ganham mais espaço hoje. Agora somos 3, tentando seguir em frente e saber que é parte da vida e não há o que fazer… Como aqui, outros amigos sofrem do mesmo mal, pois perdemos entes queridos no mesmo mês desse ano. E eu consigo sentir suas dores, aflições e vazios.

Ainda assim, nós que ficamos e estamos aqui, temos que seguir em frente e aliviar as aflições com as lembranças, ensinamentos e certos que curtimos em vida todo o possível. Como eles ensinaram, e aprendi muito bem, natal é todo dia e resta continuar os passos da vida, replicando seus ensinamentos e enraizando todas as coisas boas que eles fizeram por nós durante sua existência.

Sempre farão falta, mas infelizmente é a única certeza da vida…