É hora de realizar o balanço do ano e reviver memórias, as inúmeras reviravoltas e também as tristezas causadas nos últimos 12 meses…

2024 foi um ano marcante de diversas maneiras. Eu completei 40 anos, completei o Caminho de Santiago de Compostela e perdi meu pai. Isso tudo ocorrendo em menos de 5 meses – do fim de março até agosto. Ou seja, foi um ano desafiante em diversas vertentes, mas também um pouco confuso e angustiante.

Falemos das coisas boas primeiro… Talvez a melhor experiência da minha vida: O Caminho de Santiago de Compostela. Que está contada aqui, na série “Retratos de um Caminho” e também nos cinco episódios de um “podcast”. Foram 14 dias abençoados e mágicos. Terapêuticos e desafiantes. Emocionantes e libertadores. Ainda não consigo descrever exatamente como foi vencer os medos, continuar caminhando e ir se emocionando a cada prece e a cada etapa vencida. As conversas, as amizades criadas, os abraços e histórias compartilhadas por ali, sem ego ou controle – apenas a pura necessidade de criar laços por aqueles tantos quilômetros. Agradeci por tudo – de coisas boas até as ruins, e pude compreender empiricamente que “Santiago não é o fim, senão o começo…”

Profissionalmente também tive um ano bom. Novos desafios, novo cargo, novas responsabilidades e pouco a pouco fomos colocando nosso estilo, nossa maneira de ser e vencendo bloqueios, preconceitos e no final, ver bons feedbacks do seu time e das pessoas ao redor, não tem preço senão admitir que essa foi mais uma vitória na vida e seguimos… Porque ainda temos muita lenha para queimar e muitas provas para vencer…

Isso tudo aconteceu até julho. Aí chegamos ao bendito mês de agosto…

Um mês que em teoria seria de verão, de férias, de tranquilidade… Transformou-se em 31 dias intermináveis e dolorosos. Em questão de 5 dias, o pai da Flávia e a mãe do Guilherme se foram. Dois dos meus maiores amigos, perdendo seus entes queridos e eu do outro lado do oceano sem poder dar um abraço e conforta-los da melhor maneira possível. 20 dias depois, foi a vez do meu pai ir – depois de alguns anos lutando com o Parkinson, descansou e nos deixou. E eu do outro lado do oceano…

É parte da vida, é parte do jogo que a gente se dispôs a jogar e viver a vida que eles se sacrificaram tanto para que a gente levasse. Aproveitei meu pai durante a vida e levo seus ensinamentos, histórias e jeitos adiante. Certo que replicarei parte dele em meus passos e que o terei me protegendo de outra dimensão. O vi a última vez em janeiro, 7 meses antes, e ainda não consigo lembrar qual foi a última conversa ou piada contada. Mas, como acontecia nos últimos anos de doença, ele tentava mostrar uma força no abraço final, que angustiava com a tão impossível verdade “será que será o último?” – isso acontecia desde 2021, mas em 2024 foi o último e eu ainda não lembro da última conversa. Talvez um dia eu me recorde, mas as demais lembranças ainda seguem fortes o suficiente em mim.

Com isso, eu agradeço – porque prometi no Caminho que continuaria agradecendo – tudo o que aconteceu em 2024, mas desejo um 2025 um pouco mais leve, com maiores lições e menos lágrimas. Um 2025 com mais desafios, mas que cheguemos ao final dele com o mesmo número (ou um pouco maior) de entes queridos – e, mais importante, que tenhamos forças para todas as etapas dos próximos 12 meses…

Muito obrigado 2024. Foi um ano difícil, que eu não esperava, mas seguimos adiante… Pode vir 2025, estou pronto e ansioso.

Para todas as leitoras e leitores do Um Confessionário: Muito obrigado pela presença e espero que vocês tenham um excelente 2025, com muita paz, poesia, alegrias e aprendizados. Que esses singelos votos se estendam para todos seus familiares, amigos e seus laços mais próximos. Nos vemos ano que vem