É parte da vida. É o momento que não ansiamos. É o final novamente, quando a gente apenas queria mais dias assim…

É a coleção de clichés mais bregas existentes. É aquele piscar de olhos que nem se viu. É quando finalmente estamos nos acostumando com o ar. É quando começamos a devanear que a vida poderia ser mais longa e os dias mais intermináveis… É quando recobramos o fôlego de toda aquela ansiedade rotineira, e a obrigação nos chama novamente para termos nossas responsabilidades de volta. É o momento que qualquer adulto queria ser criança, fazer birra e fincar o pé em uma utopia inexistente. É ainda mais doloroso porque agora sabemos que pode ser a última vez de verdade…

Fazemos a mala com lembranças. Com pedaços dos últimos dias, como se fossem um combustível invisível para nos manter vivos. Nem colocamos muitas coisas, mas o peso já é próximo do limite. Sim, a angústia pesa e toma conta de muitos espaços. É aquele momento que o arrependimento começa a acordar em nossa mente, pregando peças e mostrando o fato real do que estamos perdendo de verdade…

É inevitável, mas a vida precisa continuar. Nos enchemos de uma falsa esperança, de uma coragem bizarra e seguimos forçando um sorriso. Mentimos dizendo que os próximos meses passarão rápido e logo estaremos de volta. Mentimos porque é a única coisa que nos resta. Mentimos porque não sabemos se voltaremos ou se nos encontraremos novamente, porém mentir, naquele exato momento, é a única certeza que podemos manter… E assim, embarcamos para seguir nossa viagem…