A distância é algo inevitável na vida, mas quando ela se torna um obstáculo para algo antes corriqueiro, começa a machucar…
É comum ver amigos ir e vir. Aprendemos de uma maneira dolorosa demais a suportar partidas, mudanças, buscas de sonhos, encontro de pesadelos, silêncio e ausências nos “melhores momentos”. Crescemos em um mundo tão pequeno que, ao descobrirmos seu real tamanho, ficamos assustados com o mar infinito de possiblidade que se abre, diariamente, para cada um.
Tenho os meus melhores amigos longe de mim. Eu parti pro outro lado do oceano, deixei meus pedaços por lá e quando retornei alguns não estavam mais lá. O mundo girou e apontou novas descobertas para alguns. Outros ficaram, mas também mudaram. Mesmo com mudanças tímidas e quase imperceptíveis, é palpável a mudança. Somos amigos e a distância não abala a confiança, as risadas passadas e os planos futuros (talvez apenas isso: planos). Mas essa distância machuca quando um deles precisa de uma ajuda mais “próxima”. Dói ver vitórias de longe. Dói ver problemas grandes que apenas precisavam de uma cerveja num boteco qualquer. Dói ouvir que “eu precisava desabafar apenas…” e você se resumir a uma mensagem de áudio fria e pensada.
Não deixo de pensar neles um só dia. Não me esqueço das histórias compartilhadas e acho a maior mágica do mundo quando, no meio de um brinde e outro, algum deles me relembra uma história que “eu não sabia”, porque a risada de “novidade” é algo tão grandioso, mesmo em uma história de quase 20 anos de idade.
Os rumos da vida me tiraram fisicamente deles, me ensinando a conviver diariamente com uma dor que não se transcreve, mas machuca. Uma dor de algo que nunca deveria machucar, mas vai matando aos poucos. Já vi muitos desistir. Já vi confissões que tal saudade era demais e já ouvi de outros que algumas bobagens ousaram chegar à mente… Eu não cheguei nesse momento. Amo minhas histórias, amo minhas possibilidades e amo meus amigos. Eles estão espalhados por aí. Alguns fusos diferentes, alguma conquista a mais ou a menos, algumas brigas desnecessárias aqui e lá e várias páginas de um livro que não escrevi, mas que eles sabem de tudo que estaria contando ali. Eles ainda são minha parte mais importante. Eles são minha base. Se hoje estou aqui, devo a eles todos os momentos que vivemos nessa curta vida que tivemos.
Sei que a música muda de tempos em tempos. Sei que os sonhos se renovam. Sei que as bússolas internas de cada um têm um norte diferente. Mas sei que somos amigos, isso fica claro no abraço inicial, no desejo de ter um tempo eterno, mesmo sabendo que a partida é inevitável, e nos desejos mais sinceros existentes. Construímos várias coisas e mesmo que existam outras dezenas de páginas diferentes, às nossas estão intactas e cada um sabe a importância de tê-las ali.
Hoje brindo sozinho, mas com as lembranças mais vivas a cada segundo. Obrigado pessoal por ter isso comigo aqui…
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