Tinha um envelope na mão, cheio de ilusões e postado com um destino improvável. Improvável de vestimentas, de cheiros, de lugares ou de reviravoltas…

Sim, ele estava tentando seguir para o próximo ponto sonhado. Para um novo patamar que não soubesse de suas opções. Queria ter as palavras certas e a certeza de que o novo era seu destino final. O balanço, o barulho e toda a impessoalidade, reinavam na sua viagem. Pessoas infinitas puxavam a cordinha e paravam para descer e curtir aquele ponto escolhido, por obrigação ou puro ato ilícito. Tem algo mais impessoal que este trajeto? Algo mais surreal que não ter um remetente para enviar uma carta não escrita? Algo mais impessoal que não reconhecer músicas, sons ou locais? Algo que não te lembre a subida da ladeira, o cheiro característico do preparo do almoço e da cena de quando a avistou de toalha na mão com um sorriso perfeito? Alguma época sem enfermidades que sentisse o cheiro de chuva sem culpa? Sim… Ele estava em um trajeto desconhecido e não temia por isso. Ele esperava. Ele queria. Ele sabia que uma hora seria a certa. E a hora certa havia chego. Ele não buscava nada, queria apenas um piscar de olhos diferentes, diferentes lugares, lugares ásperos, novos idiomas, possivelmente novas derrotas e o que mais fosse possível. Ele sonhava, mas não dormia…

E essa história afinal, pode ser minha, pode ser sua. Pode ser aquele cara virando a esquina ou até mesmo alguém que não existe ainda, mas que planeja todas essas sensações para si. Sim, todos nós já descemos no meio do nosso trajeto e foi vivenciar os extremos que nunca foi apresentado… Não?