Você foi meu último beijo. Meu último suspiro antes da escuridão que eu nem imaginava existir…

Mudamos da água ao vinho. O que antes era praticamente impossível aconteceu de maneira até esquisita, mas gradual. Fomos o segredo de um mundo completo. Um esporte, uns beijos, conhecimentos, fugas, um sexo bom, uma forma de se esquecer dos problemas e aflições do mundo e uma certeza de companhia sempre boas. Fomos mais do que queríamos e muito menos do que deveríamos. Assim continuamos sem definições maiores, mas com nossa chama minguando até sumir, como se fosse uma lua.

Nossa última noite foi estranha, meia mecânica e trazendo uma dificuldade e barreiras que antes não tínhamos – ou você não havia criado ainda… Essas barreiras apenas externaram a nossa dicotomia. Nossa última troca de mensagens foi tão surreal que até dramatizar aquele momento, é impossível. Foi um fundo de tristeza, com deboche, com escárnio, que me fez broxar com nossa relação – e foi a primeira vez que senti isso contigo.

Talvez eu tenha seguido por um vale mais aberto, você ficado naquele mesmo de antes e esperou uma aproximação diferente. Eu tentei manter tudo como antes, mas errei em perceber que tudo havia mudado e aquele nosso segredo já não cabia mais no espaço de antes. Terminamos assim e hoje pisamos em ovos nos contatos e mensagens… Sinto sua falta, mais por conta da certeza de ter uma companheira que topava um lanche no meio da madrugada, do que o sexo que era nosso elo intocável.