Nem tudo são flores e alegrias, eu já cometi o maior erro possível com a mulher que foi a minha cópia perfeita…
Até hoje escrever sobre algo de onze anos atrás é o meu maior problema. Talvez por vergonha ou por talvez não conseguir encontrar um motivo digno (apesar do motivo ter sido bem concreto naquela época). Mas, mais importante que tudo, foi ver que uma mentira destrói tudo o que pode existir. Não apenas o relacionamento, que era o nosso elo mais fraco e improvável de dar certo, mas a amizade e companheirismo daquela que foi a minha melhor versão.
Nossa história é longa e infantil demais. Quase um conto de fadas de tão surreal. Resumidamente, nos conhecemos ao acaso de um final de semana esquisito, criamos uma amizade por conta dos nossos gostos musicais e visões de mundo, nos divertíamos com nossas discussões e teorias para entender um mundo que a gente criava, e acabamos “nos apaixonando” por ver que essa sintonia e sinergia, parecia mágica.
Sim, era algo frágil e não éramos mais adolescentes para acreditar nessas histórias. Mas, em algum momento qualquer, nós quisemos desafiar a lógica mundana e fazer aquilo dar certo. Dois arianos juntos, com contas cósmicas para dia certo de casamento e tudo mais… O que poderia dar errado?
Foram quase nove meses. Nove meses, poucos encontros (eu em Campinas, ela em Curitiba, e os dois sem dinheiro), muitos planos e UMA (1) briga. Éramos um o complemento do outro. Não havia discussão para onde sair, onde comer, onde beber e o que fazer… Tudo entre nós foi uma doce, leve e rápida rotina de finais de semana. Sem maiores problemas ou conflitos. De novo, éramos perfeitamente complementares.
E por que não deu certo? Porque eu a amava – de verdade – amava a companhia, a pessoa, a diversão, o jeito, as nossas ideias, as nossas conversas. Ela, como pessoa é uma das poucas pessoas que me fazem falta na vida rotineira de hoje. Mas faltava o tesão, aquele que no texto anterior foi o combustível único do relacionamento, aqui faltava e isso acaba frustrando… Quem não tem e quem queria ter.
Daí, com todo o peso dessa decepção e frustração na vida, em um sábado a noite em Santos, acabei conhecendo uma menina. Começamos a conversar, nos entender e daí rolou…
Meu maior erro foi mentir, não abrir o jogo e falar a real. Não tentar entender onde mudar ou como mudar. Meu erro foi buscar uma pseudo satisfação em outro lugar fora de onde eu sempre quis estar.
E daí, tudo ruiu… Eu não perdi apenas um relacionamento. Perdi a pessoa que mais me entendia na vida. Perdi alguém que me completava. E até hoje, depois de onze anos, eu não achei ninguém que me entendia como ela. E ela sabe disso…
Foram anos até ela me mandar uma mensagem pela primeira vez. Depois disso foram mais meses até ela não me xingar depois da terceira mensagem. Depois foram mais meses, até ela conseguir me dar um abraço de novo e falar “Eu acho que consigo olhar para a tua cara e não te socar até o fim da tua vida…” e, mesmo ela querendo brincar, eu senti o quanto isso era pesado. Ela contou o quanto foi o buraco que ela viveu e a falta de confiança nos seus namorados depois da gente…
Quase no fim da noite ela me perguntou “O que você aprendeu disso tudo?” e eu respondi “Nem que eu quiser, por mais forte que seja, eu jamais vou conseguir mentir para a pessoa que eu estiver. Nunca mais…”
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