Quando estamos velhos demais, as coisas se tornam mais cansativas e menos simples. Isso funciona para tudo – até para os relacionamentos…
O ritmo fica sendo muito estranho, a intensidade muito pequena e a loucura demais para se aguentar. Quem me conhece, sabe que paciência nunca foi a minha principal característica (até porque ariano não costuma ser muito amigo da paciência) e menos agora que meus cabelos já caíram. Junta isso tudo com uma nova vida, um novo mundo, uma nova cultura e você acabar conhecendo pessoas que estão “mais ou menos no mesmo barco”, com níveis diferentes de expectativas, objetivos e frustrações acumuladas. Tudo fica muito complexo.
Quando você mora fora, acaba fazendo amigos e relacionamentos muito rápido. O problema é que a superficialidade e fragilidade disso tudo, fica evidente nos primeiros conflitos. Ninguém é realmente amigo. Ninguém é realmente namorada ou namorado. Ninguém é realmente confiável e todo mundo se frustra – cedo ou tarde. E a culpa é dos dois lados.
Tive meu “relacionamento sério” em Dublin. Nos demos muito bem e durou quase um ano (quatro términos) em que passamos por um monte de coisas juntos. Viagens, descobertas, romance, alegrias, brigas, mentiras, apuros e conflitos… Tudo com uma intensidade próxima a de um tornado furioso (ou uma sequência deles) e uma chuva ácida para ficar mais interessante e marcante.
Não deu certo, mas por diversos motivos que talvez, em uma noite qualquer, eu fico pensando “Se tivesse feito diferente…”, “Se ela não tivesse…”, “Se…”, “Se…” e de novo os mesmos “Se…” retornam à mesa e a gente acaba ignorando e seguindo em frente.
Guardo como sempre coisas banais, mas bonitas. A mesa 102 do primeiro beijo. A cara de surpresa com o presente de aniversário. O jeito de preparar o café e a cara que ela fazia ao comer algo que estava realmente bom.
As brigas e frustrações? Também… Eu não esqueço de nada, infelizmente, mas depois que a gente fica velho, isso perde um pouco da razão e acabamos tocando a vida. Hoje a gente brinda uma amizade, mesmo sabendo – como eu disse no parágrafo acima – que ninguém é realmente amigo.
Hoje também nem temos mais razões para brigar. Meu endereço agora é outro e o que vai ficar para contar histórias e contos, são as partes boas e quentes, mesmo no frio de Dublin, que isso tudo se desenvolveu…
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