Muitos tentam provar uma angústia fria para saber seu real sabor. Outros juram que a implacável solidão persegue seus passos…
Alguns loucos juram que em suas preces de sofrimento, conseguem enxergar a depressão, com seu olhar cortante. Alguns perdidos nas sombras desenham um retrato único que intitulam “A Risada da tristeza”. São diversos caminhos que brotam nesta parte e todos, sem exceção, tão abstratos que beiram à fantasia ou alucinações perdidas.
Não me recordo de quando iniciei nesta fase, a maioria não se lembra, mas em alguns textos, cada vez mais, estes inúmeros sentimentos foram se personificando, com uma riqueza de detalhes que era impossível negar que não existiam ali olhando o meu trajeto. Lembro que quando notei esta mudança, as aparições eram tímidas e fantásticas. A solidão e seu caminhar na névoa das manhãs de inverno, a angústia arranhando a parede nas madrugadas de insônia, o copo meio-vazio da tristeza no balcão do bar embalando o refrão perdido…
Aparições simples que se confundiam com o cotidiano deste melancólico mundo. Aos poucos a intensidade foi aumentando e era possível enxergar um parentesco leve entre alguns deles e até conseguir distinguir quem se aproximava pelo perfume ou pelo tilintar de seus passos, tão intensos e fortes que machucavam os ouvidos.
Aos poucos eles também foram controlando a vida e as decisões tomadas diariamente. Horas ficavam incontroláveis e berros eram ouvidos dos habitantes, travando suas longas e temidas batalhas internas. Gritos de sufoco e do choro de desespero soavam no cotidiano, junto às fugas alucinadas cada vez mais comuns nestes momentos.
O remédio para isso? A aceitação de sua existência e o controle mental para que suas garras e articulações não começassem a reger a vida. Ainda os enxergo, em diversas cores – fortes nos dias ruins e fracas nos dias amenos e tranquilos. Ainda ouço suas arranhadas, gargalhadas e seus passos. Ainda sinto sua chegada, ainda respiro o mesmo ar que eles. Em alguns dias o controle é perdido e a festa melancólica recomeça com toda intensidade existente.
Neste momento o desespero bate em nossas veias, o mundo desaba em nossos pés e temos uma única luz que enxergamos. Uma luz fraca no meio da escuridão vivida, se torna o nosso sol. É neste momento que começamos a traçar a fuga. A fuga ilusiva…
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