O que seria do mundo se não houvesse a poesia? Ele seria sem ritmo, sem sorrisos soltos, sem significado, sem cor…

A vida seria estática, não haveria rimas e nem construções perfeitas com sonetos e redondilhas. A vida não teria os momentos de plenitude, não saberiam distinguir o calor e tremedeiras causadas pelo amor… A vida não teria amor!

Toda poesia é válida e não é preciso ser poeta para vivê-la, pois ela está na vida de cada um. Pode ser que esta conclusão seja tardia neste mundo, mas é a que possui maior intensidade. Leva um tempo para entender a simplicidade da poesia regendo os passos e a vida dos habitantes. Quando se chega neste estágio, as construções ganham o destaque necessário, as avarias são consertadas e tudo efêmero é lançado para o fim. Quando se chega à poesia, um novo mundo é mostrado e chega com uma bagagem imensa. As dúvidas de antes, não parecem ter o mesmo incômodo. Muitas respostas são lançadas sobre o vento e os quatro cantos se pintam para uma nova odisseia. A bagagem é pesada e complexa, mas é sempre adaptada da melhor maneira possível em todos os aspectos e momentos. O mundo clareia, ganha todos os tons possíveis e uma brisa nova é sempre sentida conforme os passos são construídos.

É o mesmo mundo de antes com as velas acesas ditando uma melancolia existente. É o mesmo mundo que o platonismo reina e que sentimentos são personificados e abstrações são receitas para o crescimento. É o mesmo mundo, mas a poesia transforma em clareza perfeita as abstrações e seus personagens sentimentais. Tudo é exatamente como antes, mas quando nos alimentamos da poesia para a eternidade, nossos olhos enxergam as complicações que antes eram regidas pela incerteza e inexperiência sentimental. Nada é perfeito e existem as derrotas e desilusões. Existem as tempestades e os infinitos invernos com seus tons de cinza melancólicos. Existem inúmeras questões sem respostas e existe ainda o amor, guiado pelo mesmo platonismo, que não deixa a realidade fazer o tão sonhado final feliz. A felicidade é mostrada com todas as saídas complexas existentes e é possível concluir que se não fosse assim, seria banal a luta e dificuldades necessárias para cada um.

Se a felicidade fosse uma equação simples e com a fórmula conhecida, o amor, os sonhos, a poesia e a vida não teriam nenhum peso relevante. Tudo seria uma medíocre vírgula de um imenso livro sem final. A poesia traz um pouco disso tudo de bagagem e cabe o autor aqui digerir da melhor forma isso.

Durante um tenebroso outono que nunca parecia acabar eu vaguei por todos os vales possíveis e mostrados em meus passos. Por um tenebroso inverno na completa solidão tive que me alimentar de todas as vertentes possíveis deste mundo. O mundo que me define, que me guia, que me auxilia em meus questionamentos e que tenta, junto e através de inúmeras linhas confusas, definir o amor e como encontrá-lo. Eu percorri todas as pedras e experimentei todas as possibilidades deste mundo. No fim, o sol brilhou com o seu imenso verão de significados e finalmente pude entender toda a plenitude. Depois de tudo isso, eu contemplei o meu caminho desenhado – nisso eu consegui a minha tão sonhada Digestão Final…