Por duas semanas eu desliguei o celular e sumi do mundo. Quis deixar tudo ir e nem saber das coisas por aqui…
Engraçado tempo que vivemos. Estamos online a maioria do tempo, mas não verdadeiramente conectados. Controlamos a vida pela hora que aparecemos por último no aplicativo. Não conversamos mais de forma real. Sabemos quem são os parentes próximos e a forma de contatá-los, mas paramos com medo do que vamos receber de resposta. Relutamos em expor essa nossa face e o resultado poderia ser bem pior do que realmente é.
Eu sumi sem razão. Apenas estava cansado das coisas do mundo. Cansado de olhar um celular e me sentir perto de pessoas que nem sabiam onde eu realmente estava. Cansado de ver novidades postiças e gastar tempo alimentando tanto a ilusão dos outros, quanto as minhas. Queria algo mais real. Queria me sentir mais produtivo em minhas ideias e planos. Queria realizar e criar algo para mim e não para os outros saberem da minha vida.
Cansei de ter que expor os fatos de uma maneira colorida. A vida é monocromática muitas vezes – e isso é belo demais para as pessoas entenderem. Sabemos o quanto o amor, a amizade e tantos outros sentimentos verdadeiros, hoje já não existem. Hoje reina a volatilidade das coisas – Hoje 8, amanhã 80. Hoje 0, amanhã 1000. E viramos seres binários que precisamos aproveitar (e lucrar) enquanto temos algo bom para nós e amenizar a traição de amanhã, porque ela vai vir.
Talvez tenha nascido e crescido em uma época e forma errada. Lutei para não afastar minha base e uni todos os lados possíveis para criar algo surrealmente forte. Levei tudo tão ao extremo que talvez tenha desaprendido a ter minha confiança abalada. Há anos eu não vivia assim e nos últimos três anos, perdi as três “pessoas mais importantes para mim”. Por quê? Não me perguntem, eu nem saberia contar a história de maneira certa. E foi por essas e outras que sumi…
E depois de sumir, eu ri. Ri a cada contato com minha mãe que me atualizava de uma pequena lista que venceu o medo e apreensão e perguntou para ela se tinha notícias de mim. Ria da forma que ela contava como foi a conversa e rimos juntos pelos diversos outros fatores.
Tirando a solidão e o silêncio dos meus monólogos pelo apartamento, foi um período que consegui reencontrar o prazer da escrita, da criação, das noites de sono e do descanso merecido. Foi um tempo que não tive insônia e não me perdi na falsa alegria das pessoas. Foi um período mesquinho, mas sem inveja e que me mostrou novos caminhos. E lembrei o quanto é bom ter a cabeça leve e livre de tanta falsidade e imbecilidade do mundo por aí.
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