Eu tinha medo desse momento. Que era quando eu começaria a esquecer como era ter você por perto e como era seu jeito em algo tão normal…
Eu não sei quando aconteceu, mas eu olho suas fotos todos os dias e não lembro como reagia a elas. Era algo natural, como se fizesse parte de mim e eu soubesse que aquilo fosse parte de uma rotina. Hoje, não mais. São seis anos sem você e eu perdi a noção de como eu era com você.
Sinto que fosse como uma traição, onde eu sempre jurei amor eterno, mas não sustentei logo após o primeiro quarto de uma década de vida sem você. Lembro de dias, situações e manias, mas me falha a memória as simplicidades de uma rotina. Como o que você fazia após nosso abraço com beijos? O que acontecia após você acordar fora de hora e bufar brava por conta do horário? O que acontecia após eu tirar uma foto que você fazia uma pose única? O que acontecia depois que eu ria algo de você, pois sabia que você odiava que rissem de você? Aliás, quando foi o primeiro momento que a gente descobriu que você não gostava que rissem de você? O que acontecia depois de um almoço com polvo, que você, como toda a família, era apaixonada? O que acontecia nas sonecas da tarde e de quando você terminou aquele osso defumado que durou uns 7 anos?
Essas coisas se perderam. Como pó no fim do dia, como uma amnésia alcóolica. Como uma tempestade de verão. Se foram e não sei se vão voltar. E eu sinto uma dor no peito de viver com esse branco. Eu queria ter ido antes de você, pois saberia que iria fazer o impossível para ficarmos juntos novamente. Mas hoje eu até duvido disso.
Será que você vai me esperar? Será que você me perdoou? Será que vamos nos reencontrar?
Mesmo não lembrando de muitas coisas, meu amor eterno é e sempre foi seu. Podemos nunca mais nos vermos, mas a eternidade reservará pelo menos um curto momento de reencontro e eu quero apenas ficar na sua frente e com as lágrimas mais sinceras, te dizer o quanto eu esperei por isso… Você sabe que é verdade.
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