Sofro de insônia ou ansiedade, nunca sei ao certo. Talvez me perca nesses novos nomes de aflições antigas, apenas para nos acharmos diferentes demais para uma solução…

De tempos em tempos, a mente entra em uma combustão de ideias e caminhos tortuosos demais para conviver junto com o sono dos justos. São imagens que retornam, diálogos incompletos, situações vividas e toda aquela angústia de dizer algo e sonhar com um resultado diferente que nunca vai acontecer de verdade. Os olhos queimam, o corpo se retraí em uma busca incansável por conforto, mas a mente não quer descanso. Quer brincar de vida inventada – quer trilhar caminhos impossíveis e desenhar alternativas que apenas se sustentam durante essas horas de pouco sono e muito peso mental.

Na minha época, isso se chamava insônia. Guiava vários coitados, como eu, madrugada afora, com ou sem combustíveis extras e com uma dor no peito que parecia ser real demais para coexistir em um mesmo corpo. Anos depois criaram (nem sei dizer quem) novas denominações e nomes para nos acharmos diferentes daqueles coitados de antes. Viramos seres exagerados, que não admitem sentir o mesmo que velhos loucos. A dor atual é diferente, possuí forma, gosto e cheiro diferentes. Essa dor se alimenta de algo que nunca vamos descobrir, mas que dilacera todos os sentimentos e vontades de nossas vidas.

Antes precisávamos de uma bebida, um remédio e uma boa conversa com um beijo selado no final. Hoje precisamos de meditação, coach e frases de efeitos com músicas especiais de uma playlist feita exclusivamente por deuses que nem sabemos o nome… Antes, uma volta de carro com uma contemplação das estrelas era suficiente. Hoje postamos nossas novas doenças como se fossem troféus. Adoramos dizer que sofremos daquilo e nos vangloriamos pelo caro tratamento que dizemos que funciona – mesmo ele sendo bem parecido com o anterior.

Gosto de falar em insônia, pois cresci admirando suas razões e inquietações, assim como as poesias, textos e contos criados por uma mente que não se cansa de criar histórias e relações fantásticas de tempos em tempos. E ainda assim, prefiro gastar o meu dinheiro com um bom álcool tranquilizante no próximo fim de tarde e beijando aquele último capítulo pendente, do que com frases de efeito de um coach que provavelmente tenha mais angústias do que eu…