Suas primeiras palavras foram que a festa havia sido forte. E eu nem lembrava onde estava naquele momento…
Ela disse aquilo sem abrir os olhos, apenas esfregando os nós dos dedos no seu rosto. Demorei ainda para acostumar com a escuridão diferente daquela manhã e tentando decifrar tudo ao redor naquele novo local. Ela gargalhou lembrando algo que não conseguia explicar e eu ainda buscava a origem daquele cheiro. As figuras ainda estavam embaralhadas na mente e o cérebro tentava reorganizar o caos naquela bela amnésia matinal. Ela rolou por cima do meu corpo e me beijou com um gosto de álcool e cigarro amanhecido. Logo nossos corpos estavam encaixados e entendi que minhas roupas também haviam sumido completamente do meu alcance. Gozamos juntos e rimos ao percebermos que os nomes também haviam evaporado das nossas memórias.
Ela elogiou a decoração do “meu quarto” e eu expliquei que era a minha primeira vez ali. Rimos novamente e nos apresentamos devidamente ao buscarmos nossas roupas. Saímos daquele quarto desconhecido e tentamos identificar o local ao meio das garrafas vazias e batidas repetidas. O sol nos brindou na calçada assustada à frente e nos despedimos com um beijo fresco. Ela para um lado e eu para o outro, tentando relembrar quando foi que havia perdido o rumo da minha casa…
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