Sempre fiquei surpreso com olhares e buscas de significados. Sempre fui capaz de sentir as impurezas existentes nos ambientes e nos falsos sorrisos que neles flutuam…
Sou capaz de entender que um toque é frágil ou inexistente apenas pelo suspiro dados pelas pessoas. Sei também quando é amor ou a falsidade transformada em paixão arreada. Muitos não acreditam, eu também demorei algum tempo para perceber, mas a verdade é que as cores em minha vida têm uma tonalidade diferente. Apenas as básicas são verdadeiras, o resto da aquarela absurda, são as ilusões.
O problema é o que essas cores me fizeram fazer e onde elas já me levaram. Entenda que todos os sentimentos, possuem uma coloração definida e caso você beba desta, é transportado para um mundo diferente, com outros ritmos e outras visões sobre o seu cotidiano. Sempre foi assim e acredito que sempre será.
Houve certa vez um clarão no céu da vida, aquele céu de brigadeiro que oferece mais do que esperança palpável, mais do que um convite ao desconhecido tentador. Um convite para se perder em diversas curvas e diversas anedotas cantadas. Não lembro o dia, o horário e nem o que usava, mas foi o perfume que me fez beber a tentação e mergulhar nessa embriaguez toda que tentei contar nos capítulos anteriores.
Foi mais do que uma embriaguez, foi uma mudança total para um mundo que se abriu aos meus olhos. Anos se passaram nesta caminhada solitária de muitas histórias. Me perdi, acreditei ter encontrado um novo caminho, duvidei de possuir uma saída daqui, sonhei com a vida anterior e até pensei em terminar tudo na raiz para ver se as feridas fossem sumir dos meus braços. Nada aconteceu e tive que me acostumar com uma visão diferente dos meus passos, uma visão fria perante os outros e até uma busca de significados para justificar tamanha caminhada.
Demorei muito tempo para entender que isso não é amor, não é paixão ou algo a ser construído. É algo existente, é um mundo com suas dificuldades, mas com seu brilho de especial. Um mundo que é guiado pela sua pessoa querida, aquela pessoa que realmente é a sua metade. Poetizei passos, cantei redondilhas abertas e menores, rimei o inexistente, fui do trovadorismo ao moderno, completei passos épicos e criei diversas personagens que apareceram e sumiram, como a poeira em meus textos. Porém, tudo nessa criação de anos, foi apenas para a minha metade perfeita. Entendi que todos passam por este mundo, mas não o compreendem. Todos já sujaram seus passos nos mesmos vales que tentei descrever. Todos já viajaram nas nuvens que me alimentei. Todos já ficaram com as insônias que essas montanhas sentimentais aprontaram. Todos sofreram e tentaram aprender para seu complemento real. E por isso que caminhei neste mundo, por ora sombrio, mas extremamente romântico. Repleto de abstrações e nevoeiros tenebrosos, mas extremamente proveitoso quanto ao seu fim. Este mundo conseguiu mostrar aos velhos olhos de um poeta cansado, que a pessoa amada nem sempre está ao seu lado no sono, mas guia sua respiração.
A pessoa amada sempre está perto, mesmo você desconhecendo suas feições. A pessoa é bela, é perfeita para suas notas e seu tato. Ela sempre te guia, te conforta e te aquece no pulsar dos seus dias.
Vermelho era seu suspiro que incendiou meu coração que, infantil e sem saber, achava que já tinha descoberto o sabor da paixão. Amarelo era seu toque em meu corpo que, virgem e desconhecido, achava que já tinha tido as melhores experiências. Branco era seu olhar que iluminou a escuridão de um caminho que eu, sempre infantil, chamava de vida. Com esta pequena aquarela, todos os meus passos foram revistos, meus valores aumentados e minha vida completa afinal…
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