“Eu preciso de um amigo agora, pois estou cansado de olhar para esse telefone” e infelizmente é a realidade de muita gente…
Essa é uma parte de uma das músicas mais tocadas no ano por aqui. Essa música me traz situações cada vez mais comuns e difíceis de viver nos dias de hoje, onde estamos próximos de quem não existe e longe de quem está ao nosso lado. É esquisito (trágico e triste) ver que hoje as amizades se resumem à distância física e social. Hoje somos felizes em posts de Instagram e Facebook e sabemos “tudo” da vida do amigo(a), mas não conseguimos lembrar o número do seu telefone. Hoje você vai até a casa dele e manda uma mensagem avisando que chegou, mas não tem a capacidade de ir até o porteiro e pedir para tocar no apartamento dele… Provavelmente porque você esqueceu (ou nunca soube) o número do seu apartamento. Quantos amigos você sabe o dia de aniversário de cabeça e não irá “esquecer” se ele tirar o lembrete do Facebook?
Eu vivo um dilema há dois anos. Sustentar amizades de 15 a 20 anos por mensagens de celular, “monólogos” como mensagem de aniversário e saber das conquistas e mudanças, quando eles atualizam um Facebook ou Instagram. Vivo hoje longe de todas as pessoas mais importantes para mim e o preço é que “canso de olhar para um telefone” e muitos dias apenas lembro como era a sensação simples de avisar “10 minutos tô aí…” e uma cerveja básica era compartilhada no boteco preferido. O preço é realmente alto e muita gente não faz ideia de como não apenas machuca essa distância, mas faz ruir muita confiança nos seus passos… Hora ou outra me questiono se vale a pena esse preço. Se vale a pena essa aventura por aqui que me deixa sem o mais importante da vida. E ninguém faz ideia de como isso pesa…
O lado de cá é confuso, volátil e muito temporário para todo mundo… Ninguém sabe se amanhã estará por aqui e nem eu sei se vou acordar no mesmo lugar ou não. O vento pode soprar e me levar para mais uma odisseia em outro lugar. Nunca fui de criar raízes e sempre estive em movimento, mas tinha meu refúgio e meus amigos por “perto” (ou algumas horas de carro). De repente, você escolhe que a sua vida vai ser ditada em outro continente e precisa se acostumar com a falsidade, egoísmo, cinismo e outros sentimentos/ações que você lutou anos para viver longe. É realmente triste e os dias teimam em passar quando essas lembranças e questionamento voltam à mente.
Nem sei se existe uma conclusão para esse desabafo, mas tentem viver mais os amigos e as pessoas importantes do seu lado. Tentem criar memórias reais, físicas e deem risadas de algo que realmente aconteceu… Não que foi compartilhado em algum lugar. Compartilhe momentos e lembranças de carne e osso e tentem esquecer um pouco do virtual. Conheça mais o seu amigo, porque a gente nunca sabe quando será a nossa última dança por aqui.
“Eu sei que posso fazer isso sozinho, mas não quero fazer isso sozinho… Eu não sou tão bom assim sozinho…” é outra parte forte da mesma música. E é como a minha voz quase termina sempre ao gritar essa mesma parte…
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