Muitos me perguntam, depois de tantos lamentos, o porque de me aventurar em um completo desconhecido…
Nunca fui de ter muitas raízes. Seja em esportes de maneira séria, seja em um local, uma cidade, um apartamento ou um sonho só. Como bom ariano, sempre fui o cara da chama acesa e buscando sempre algo novo para ir depois em busca de algo novo e sonhando com algo novo (claro que sem a redundância das palavras).
Não confunda isso com alguém sem preocupação, sentimentos e apego. Eu só não me apego às simplificações de vida, mas sou extremamente leal e amigo de todos os meus. Prova disso é que deixo todas as promessas abertas e vou cumprindo-as uma a uma. Custe o que custar.
Com trinta e três anos a oportunidade me bateu e eu não tinha como recusar. Era a realização de um sonho, com doses de desafios e sem NADA palpável. Era como se reconstruir, sem ter o que construir. Era uma vida nova, tendo uma vida boa vivida. Uma junção de antônimos que me encantou no ponto de eu apenas ir embora e falar “OK, vamos viver isso aí”. Larguei tudo – literalmente – e vim viver uma nova odisseia e experimentar novos sabores de derrota e se maravilhar com coisas que eu pensei não existir ou já tinha esquecido de como era.
Mas é para sempre? Como ser para sempre, se eu não sou para sempre? Vou vivendo até fazer sentido. Vou vivendo até ter o que eu olhar e sonhar. Vou vivendo até ter oportunidades de me provar melhor, de me refazer melhor e de viver melhor. Vou vivendo por aqui até eu aguentar as angústia e dores da solidão, com o que me faz bem. Vou vivendo até chegar um momento que eu achar que já deu o tempo certo e buscar novos pontos para preencher.
Passei o mês todo caminhando sobre uma série de confissões que talvez tenham sido mais tristes do que positivas. Mais deprimidas do que alegres… Mas, a verdade é que agora vivo um pouco do frio diferente daqui. Vivo tentando me acostumar com a frieza das coisas e vivo com um monte de sonhos rabiscados na minha frente. Eu os desenho e formo seus caminhos. Realizo e aí vejo o que sobra para aproveitar. Está sendo assim há três anos…
E espero que dure mais três vez três anos.
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