O relógio marca 2:57 e é a quinta vez na semana que acordava no mesmo horário…

Foi assim que ela voltou. Sem uma razão definida ou aparente. A vontade de mijar apenas e a certeza que ficaria acordado pelas próximas 20 horas do dia. O cansaço acumulando e os olhos ardendo uma insônia que não causava maiores pensamentos, apenas o corpo despertava e o fazia dormir menos de 5 horas por dia.

No terceiro dia tentou com remédios leves e o resultado foi o mesmo. No quarto tomou o mais pesado e conseguiu desmaiar 1h30 e meia antes, mas a mesma hora os olhos abriram e a rotina começou.

Não era angústia. Não era ansiedade. Não eram as inúmeras perguntas e questões que, muitas vezes, povoaram a sua cabeça. Nada. Era apenas o corpo – e talvez Deus – que acordava e se sentia pronto para enfrentar o dia seguinte…

Pegou a caneta para tentar ver se as palavras acalmariam o agito repentino. Nenhuma palavra escrita. Tentou ver filmes notoriamente horríveis e conseguiu terminar todos – provando que eram terríveis. Arrumou a casa na madrugada. Tirou o pó da casa e até cozinhou para agilizar a semana. Nada adiantou. O corpo parecia rir e continuou rindo por nove dias.

Depois dos nove dias, acho que se cansou e o deixou dormir. Mas ele sabia que voltaria. Cedo ou tarde, tudo retornaria. Mais diferente. Mais complicado. Mais cansativo…