Era uma mensagem até certo ponto explicativa e apaziguadora e ao lê-la Clara sabia que tudo não passava de uma triste coincidência…
Ela teve que ficar no Rodrigo porque não havia mais trens para sua casa. Decidiu tentar dormir e apagar o que havia sido aquela noite da sua cabeça. Logicamente despertou muito cedo e, com uma desculpa pior do que as mensagens ignoradas no dia anterior, se arrumou e saiu sem banho. No trem de volta, pensando em toda a situação ocorrida, sentiu um pouco de pena de si mesma. Seu corpo ainda estava com o odor de balada, sexo e camisinha da noite anterior. Se encolheu no assento, mesmo estando sozinha e apenas desejava chegar em casa, tomar um banho e tentar esquecer aquele sábado da cabeça.
Chegou em casa antes das 11h e Paula estava na sala esperando ansiosa pelas novidades vividas. Clara fazia uma cara de poucos amigos e Paula percebeu que algo havia acontecido. Depois do banho, porque era o mais necessário naquele momento, Clara se abriu e contou todos os detalhes possíveis. Do início da noite e como ele a excitava enquanto pressionava seu corpo ao dela, ao mesmo tempo que ficava mais bêbada de Gin, até o maldito timing de Deus que colocou de frente os dois caras com quem tinha saído nas duas últimas noites e que até então não sabiam da existência um do outro. Riram meio no desespero e concordaram que, por mais bizarra que fosse a situação, ao menos ela havia disfrutado duas noites boas com suas diferenças e pontos exóticos.
Concordaram que precisavam relaxar e decidiram almoçar em um restaurante próximo e desfrutar um pouco da vida normal. Quando haviam feito o primeiro brinde, o celular vibrou mostrando a mensagem de Matheus. Quis ignorar e continuar desfrutando do almoço com sua amiga, mas a curiosidade venceu a batalha. Ao ler tudo, riu de maneira relaxada e mostrou a mensagem à Paula. As duas entenderam que o destino havia sido cruel para os dois e que ambos haviam provado da ironia que tanto desfrutavam em seus modos.
Respondeu a mensagem explicando cada parte, cada decisão, cada pequena mentira e ria de si mesmo do papel que estava fazendo. Por mais que fosse um cara que havia saído apenas uma vez, a transparência que sempre prezava era fundamental para o respeito de um relacionamento por mais curto que ele fosse. E assim, tiveram uma trégua nos pensamentos obscuros e nas conclusões precipitadas que haviam pensado e gerado com relação ao ocorrido.
Muito mais relaxados e resolvidos, puderam terminar seus almoços e descansar do final de semana intenso e atribulado que o destino havia reservado. Naquele domingo, ambos ignoraram as investidas que Rodrigo e Marcela davam no celular. Era apenas uma aventura e havia sido consumada da maneira que tinha que ter sido, com um início e fim rápidos e indolor.
Entre eles, reafirmaram a vontade de se verem mais uma vez durante aquela semana e selar oficialmente a trégua existente. Já no fim do dia, dormiram como se fosse a sexta anterior – relaxados, felizes e realizados…
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