Os meses seguintes seguiram uma rotina agradável que não pesava e sem querer estavam conectados sem nenhum compromisso…
Eles viviam bem. Apesar de não haver nenhum rótulo carregando aquele relacionamento, eles estavam juntos e compartilhavam praticamente todos os momentos sociais um do outro. Os amigos já os conheciam e até alguns pontos soltos já sabiam da existência deles. Se respeitavam e confessavam coisas aleatórias de vidas passadas, comentavam as arapucas e problemas, palpitavam conselhos e planejavam férias juntos. Geralmente se viam de final de semana, dando à semana normal o espaço necessário para as obrigatoriedades e atividades pessoais.
Geralmente de sexta-feira, Clara ia direto do seu trabalho para o apartamento de Matheus. Não tinha chave e nunca passou pela cabeça dela pedir – não faria sentido algum. Conversavam um pouco sobre as banalidades da semana, tomava algum drink e saiam para um bar ou restaurante. Começaram a transar sempre pela manhã, logo ao acordar, porque descobriram que combinava mais com o estilo deles e estranhamente ganhavam energia para o restante do dia. O sábado era de algum passeio pela cidade ou, se o tempo não ajudava ou a preguiça reinasse, escolhiam um filme para a manhã passar mais rápida. Cozinhavam o almoço vendo algum jogo de futebol de alguma liga europeia, estranhamente Clara gostava de assistir futebol – sem torcer, mas apenas vendo a partida e toda a paixão que transbordava por ali. Depois do almoço, descansavam e decidiam o que fazer pela noite. Geralmente era algum plano mais social com amigos, festas aleatórias ou simplesmente algum bar com música para se distraírem um pouco. Domingo repetiam quase a mesma programação, mas quase sempre escolhiam um restaurante novo para provar no almoço. Clara ia embora no final da tarde e assim se sentiam conectados e relaxados por terem alguém com quem compartilhar momentos e sem brigas ou decisões/rótulos mais pesados – ambos já haviam passado da idade disso…
Em um sábado qualquer, num desses passeios matinais, passaram perto da Bodega. Matheus puxou Clara para que conhecesse um dos lugares mais emblemáticos daquele centro, pensando que talvez o Cascata estivesse por ali e seria engraçado apresentar a Clara e comentar como toda aquela história se desenrolou.
Logo ao chegarem à porta da Bodega, Matheus ouviu a voz alta e inconfundível do Cascata no balcão conversando entre amigos. Matheus foi entrando na frente, enquanto a Clara observava com curiosidade o local.
“Bom dia Manuel, tudo bem?”
“Rapaz. Faz tempo hein? Bom dia!” respondeu Manuel olhando para Clara com certa curiosidade, até porque a única pessoa que Manuel havia visto acompanhando Matheus era a sua mãe, claramente mais jovem que aquela garota.
“Essa é a Clara.”
Antes de Manuel responder qualquer coisa, Cascata virou e reconheceu o antigo amigo.
“Meu amigo Matheus!” a voz era tão alta que Clara se assustou e riu da situação.
“Cascata, meu camarada… Como vai?”
“Não tão bem quanto você que está acompanhado de uma bela donzela. Encantado senhorita. Não dê ouvidos para esse rapaz, meu nome é Alberto.”
“Prefiro Cascata. Combina mais.” Riu Matheus sendo acompanhado por Manuel que concordou.
“Prazer senhor Alberto, sou Clara”
“Eu sei que seu nome é Clara, linda donzela. Sei muita coisa sobre você e não poderia esquecer.”
Clara olhou com curiosidade para Matheus que explicou a história toda.
Riram como velhos amigos e todos compartilharam alguns shots no balcão. Cascata comentou algumas outras histórias e peripécias da vida passada e riram das situações e conclusões existentes. Já um pouco embriagados pelo excesso de álcool pela manhã, se despediram na porta do bar, prometendo um novo encontro em um futuro próximo.
“Creio que receberei um convite de casório. Serei convidado, não Matheus?”
“Claro! Padrinho com direito a discurso.”
“Sem microfone, porque não é preciso né seu Alberto?” ironizou Clara
E riram a última vez e seguiram suas vidas. Cascata voltou para sua casa e seu fim de história.
“Má, sério! Esse foi o boteco mais sensacional que conheci nos últimos anos. Obrigada!” exclamou Clara enquanto voltavam para casa e beijava Matheus nos lábios sorrindo.
Matheus sempre guardaria aquela imagem de Clara. Quando ela terminava um beijo sorrindo. Mesmo depois de meses fazendo a mesma coisa sempre, ainda o encantava e era uma das coisas mais difíceis de explicar ou descrever. Matheus saberia que um dia iria sentir falta daquele exato momento…
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