Naquela primeira semana houve muitas mensagens entre os dois, mas entre uma resposta e outra, haviam outros convites aparecendo para os dois lados…
Durante aquele domingo à tarde, o celular do Matheus vibrou duas vezes em espaços diferentes de tempo. Quando chegou a segunda mensagem verificou o remetente e viu que era a Marcela. Desviou do assunto avisando que era sua mãe e não viu o conteúdo até estar no trem de volta para casa. Não muito diferente, na bolsa dela muitas mensagens chegavam. Entre algumas do grupo da sua família e de Paula, haviam umas 10 mensagens de Rodrigo. Rodrigo era um cara que ela havia conhecido e conversado no bar antes do Matheus chegar. Ele ficou pouco tempo na festa e tinha quase certeza que eles não se conheciam, por serem de grupos distintos e não ter visto conexão entre eles nas redes sociais. Perguntou a uma de suas amigas na festa, que tinha visto tudo rolando na noite anterior, e ela também confirmou que eles não se conheciam.
Rodrigo era o tipo de cara que ela sabia o início e fim. Sabia que ele estava apenas querendo o seu corpo e talvez umas duas ou três noites de loucuras. O jeito que ele falava era hipnotizante e realmente ele tinha um corpo convidativo. Era mais ou menos um ganha x ganha. O que o Matheus tinha de fascinante por um lado, o Rodrigo tinha de intensidade volátil em outra. Era uma balança cruel, mas é claro que as conversas esquentavam muito mais rápido por ali, do que com o cara que estava no bar – e não que isso fosse ruim, mas era diferente.
Quando o trem dele saiu, pode finalmente verificar as mensagens do Rodrigo e, inventando uma desculpa por estar fazendo coisas de casa, respondeu tentando chegar ao mesmo nível de intensidade que ele havia iniciado. O nível das conversas quase chegava a queimar, mas ela estava pronta para esse fogo todo. Durante a troca de chats das conversas, era perceptível o nível diferente entre os dois. E naquele momento era difícil definir o melhor… A noite tinha sido fantástica e muito mais divertida e saborosa que havia imaginado, mas havia algo carnal com Rodrigo que ela não conseguia explicar… Enfim, era essa a situação.
Do outro lado, contrariando completamente as previsões do início daquela manhã, Marcela se mostrava no ataque e com as duas mensagens deixava clara suas intenções. Ele respondeu tentando seguir um ritmo normal, mas sabia que teria que cortar os contatos ou arriscar. Não havia muito o que perder. Marcela era diferente da Clara, era mais aberta e disposta a ser aquelas meninas de uma ou duas noites, sem envolvimentos maiores e sem estragos mentais. Seria como uma chuva de verão. Rápida, intensa e que não deixava lembranças.
Apesar da noite ter sido bem agradável com a Clara e melhor do que havia planejado, existia uma vontade em experimentar a loucura incontrolável da Marcela. Ela ia respondendo tão freneticamente que ficava um pouco difícil conciliar e seguir o ritmo enquanto respondia a Clara também sem passar do ponto. O cansaço do final de semana pesava e cobrava seu preço.
Durante os dias seguintes, as conversas foram intensificando até chegar nos convites para se verem e viverem aquela loucura toda escrita, de forma real.
“Clarinha, o que me diz de irmos tomar alguma coisa no sábado?”
“Pode ser Rô, não tenho ainda nada programado. O que sugere?”
“Tem um bar chamado ‘Amadeus’ perto aqui de casa, que de sábado rola uma baladinha também. É bom que dá para conciliar o que você tiver afim de fazer…”
“Hmmm não conheço, mas pode ser uma boa pedida sim!”
“E também é perto de casa, se não tiver bom lá, aqui sempre é bom…”
“Que delícia ele. Cheio de opções”
“Mázinho bobinho, o que vai fazer no fds?”
“Gata, não tenho ideia ainda. Algum plano?”
“Pedir um Uber e fazer você me acompanhar…”
“Não sei se podemos fazer muita coisa dentro do Uber.”
“No Uber talvez não, mas ele nos leva para um lugar e depois para outro…
Assim uma coisa leva a outra.”
“Estou gostando desse negócio de Uber hein?”
“Mas sério, tem um lugar chamado ‘Pub Santos’, sabe onde é?”
“Do lado do Amadeus onde a gente foi, não?”
“Sim, mas melhor… Tem banda e vi aqui que no sábado vai ser Rock2000… Gosta?”
“Opa! Excelente… Nunca fui ali. Para mim tá perfeito.”
“E depois pegamos um Uber até São João da Glória, porque você prometeu…”
“E eu sempre cumpro o que prometo…”
Entre essas mensagens todas, eles continuavam com seus planos de ir em frente e se conhecerem melhor…
“Então você não quer mais treinar comigo, Matheus?”
“Mas é óbvio que sim… Você que está trabalhando nos horários loucos aí…”
“Pior que ainda estou no trabalho, acredita? Semana de fechamento é complicado”
“Normal… Eu também estou tenso essa semana, mas sempre pronto para o treino.”
“Estava pensando… Se sairmos na 6ª feira à noite, o estrago para o dia seguinte é menor, não acha?”
“Pode ser… Talvez você esteja cansada da semana, mas podemos relaxar e fazer algo mais tranquilo e aproveitarmos do mesmo jeito.”
“Ah sim… Mas penso que assim teremos sábado e domingo para descansarmos…”
“Sim Sim… Concordo. Podemos sábado…
Conheço um restaurante bem bacana por aqui. Se quiser, pode vir depois do trabalho, tomar banho aqui e saímos tranquilos.”
“Hmmmm… Me convidando para dormir na sua casa, Matheus?”
“Não faz parte do treinamento?”
“Acho que sim… Mas e se eu roncar?”
“Relaxa, a gente pensa nisso se você roncar… Mas disse mais para facilitar a logística e não fazer você ir e vir de trem, porque é um pouco pesado.”
“Vou de malinha e já casamos?”
“Claro. Sempre tem 2 ou 3 perdidos na rua e já chamo para serem testemunhas.”
“Boa! Nota mental: levar vestido branco na 6ª”
“Perfeito… Pra mim é mais fácil, porque só tenho um terno azul marinho. Será esse.”
“Brega hahahahahah”
“Mas sexta-feira então?”
“Posso mesmo ir tomar banho e me arrumar aí? Juro que não sou de levar muitas coisas…”
“Tranquilo, tem espaço tranquilo. Pode vir.”
“Perfeito! Muito obrigada”
E assim eles pensaram que o destino havia sorrido para os dois…
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