Ela se deita, tentando voltar a sonhar com todo o brilho que lhe cabe na lembrança: das danças suaves e do lindo toque de pétala que treinou e cuidou tanto tempo para ter…
“E o que você tem para contar?” – não deveria ser uma pergunta. Deveria ser uma obrigatoriedade. Deveria ser algo de pronto acesso, de interpretação clara e de fácil explicação…
Existiu um tempo alegre. Um tempo simples e ingênuo, que se completava apenas pela simplicidade de existir…
A casa vazia de agora não contrasta com o frenesi de horas atrás. A porta aberta, a saída antes do almoço e o aviso de adeus…
O crochê era sua atividade predileta, estava em sua vida havia quatro gerações – daquelas coisas que passam da bisavó para a avó, para a mãe, até chegar nela…
O seu sorriso de dia, com os olhos brilhantes e passos seguros na direção certa, mostrava um homem convicto e firme de seu mundo…
Ela chegou do trabalho mais cedo do que o habitual. Não havia um sorriso em seu rosto, mas alguma pequena chama de esperança em seu olhar…
Tudo começou igual àquela manhã. O café amargo, os exercícios de sempre, o fluxo de pessoas aumentando e diminuindo no metrô, e o sol judiando dos passos sem pedir licença…
Era mais um desses casais adolescentes que acreditavam já conhecer o mundo, sem nunca ter saído dos primeiros capítulos…