Ela se deita, tentando voltar a sonhar com todo o brilho que lhe cabe na lembrança: das danças suaves e do lindo toque de pétala que treinou e cuidou tanto tempo para ter…
Era mais um desses casais adolescentes que acreditavam já conhecer o mundo, sem nunca ter saído dos primeiros capítulos…
Abri a gaveta onde guardo as cartas que nunca te entreguei. Elas ficam ali, se aglomerando como se a repetição tivesse algum poder mágico para consertar tudo o que passou…
Cada visita era a mesma rotina, ela simplesmente irradiava a alegria de ver o sol novamente e não se importava com o calor ou a umidade que beirava o quase insuportável…
Era a primeira vez em mais de uma década que ela voltava naquele bar. A atmosfera parecia ter mudado, mas tudo seguia do mesmo jeito de antes…
A vida guarda suas ironias para os melhores momentos e se fosse apostar em uma menina que jamais falaria comigo de novo, seria ela…
O relógio marcava 3h45 da manhã e ela servia a última dose de vodca com suco de uva enquanto me beijava leve e plena…
O que parece uma liberdade e uma alegria sem ter qualquer amarra, logo se mostra fútil, raso e completamente falso…
E era junho, em uma sexta-feira tão atípica que eu te conheci e não sabia que tinha encontrado mais que isso…