Quando ela terminou a frase, parecia que ela iria desabar. Era como se suas forças e convicções estivessem evaporado da sua vida…
Meu sangue gelou quando ela se aproximou novamente de mim. Ela sorria meio sem jeito e talvez fosse a primeira vez que a via daquela maneira…
Era ainda uma cena que me impactava. Depois de quase uma década, finalmente estávamos frente a frente conversando sobre banalidades de uma vida comum…
Escrevo muitos talvez nas linhas abaixo, porque não consigo chegar a conclusões. A cada novo pensamento, uma centena de possibilidades brotam e me confundem ainda mais…
Se falamos que cada rua tem um casal característico e um lobo solitário, obviamente vai ter aquela “velha” que passa boa parte do dia na varanda olhando tudo e tentando descobrir um pouco da vida de todo mundo…
Talvez fosse melhor falar “O louco que de louco nada tem”, porque conhecemos muitos lobos solitários em nossa vida. Talvez na rua que você more, tenha um ou dois desse “exemplar”…
Eu tentei descentralizar os principais da Histórias da Rua da Ladeira, tornando cada parte única e independente, porque acreditava que cada um tem suas próprias ladeiras em vida. Porém, haviam duas pessoas que para mim eram o norte daquela trama, por sua dinâmica e tensões causadas na rua – Era o Casal.
Toda história sempre começa com uma pequena, quase minúscula, faísca que te traz toda a ideia, cenário, personagens e trama. A Rua da Ladeira jamais escaparia dessa fórmula tão manjada e conhecida…
Depois de 14 dias, 407 quilômetros e incontáveis lembranças, a Catedral de Santiago de Compostela aparecia no horizonte, com um sol brilhante e quase sem nuvens…