Tentamos encontrar as palavras certas, o tom perfeito de um embalo que queremos parecer os normais, mas deixamos para trás há tempos…

Escuto os votos serem proferidos e as luzes se acenderem para iluminar ou falsificar a escuridão que habita ali há muitos anos. Tudo parece tão intenso que soa falso ou voláteis demais para se sustentar até a manhã seguinte. O esforço é sobre-humano para sustentar aquilo tudo por uma noite apenas…

Eis que o espírito, carregado de álcool para tentar conviver com essa falsidade toda, deixa sobressair a sinceridade por um segundo apenas e um comentário preenche o ambiente. É a faísca que abala a estrutura volátil da cena e a primeira briga explode no recinto. A gritaria toma conta, os xingamentos se confundem no ritmo da música alta demais, mesmo para a hora. Um prato se parte no chão e alguém sai na varanda com um celular em uma ligação que não se entende o enredo, mas se compreende perfeitamente a razão. Dentro a gritaria continua e outras verdades parecem vir à tona. Rusgas do passado emergem entre os novos comentários e discussões. Já não há um mínimo de resquício daquela harmonia forçada, que existia ali há menos de dez minutos. Alguém desliga a música e um casal começa a ir embora. Há um tímido pedido para que todos fiquem ali, mas que é logo ignorado, porque parece que outro conflito começa no interior. A pessoa no celular também vai embora, ignorando o outro casal – que tentam falar algo que ajude o momento. Os cachorros começam a latir nervosos com a situação armada.

No outro lado, da então calma rua, estamos apenas eu, minha mãe e minha irmã. Nós rimos, tentando ignorar o óbvio e completamos nossas bebidas. Sem brigas e celebrando que nossa “bizarrice” é muito mais divertida. Comentamos baboseiras e assim continua a noite de natal…