Esse ano estendo toda minha mão para contar os anos que você se foi. Não é mais falta, é a certeza de que algo em mim nunca voltará a ser o mesmo…

Não quero relembrar os últimos momentos e de como o meu chão sumiu ao dirigir para casa sem você. Nunca consegui descrever com exatidão o vazio que senti naquele momento, nem mesmo com a minha extrema solidão hoje eu cheguei em algo próximo. Por isso, é melhor relembrar o que foi nossos quinze anos juntos.

Ainda é difícil encontrar alguma cachorra tão inteligente quanto você. E por mais que eu fale isso para as pessoas, elas sempre acham que sabem o que eu estou falando e comentam de feitos dos seus cachorros… Ambos sabemos que eu concordo apenas por educação, porque não chegam aos seus pés, ou patas né? Você foi quase humana como a dna Alzira falava e é impossível os outros entenderem isso e nem podemos julgá-los, pois poucos te conheceram bem.

Ainda não consigo comer um polvo sem lembrar do seu desejo por ele. Ainda rimos de alguma história única e achamos uma graça melancólica rever os momentos em que você foi “começando” a ficar velhinha e as “loucuras” começaram… Como já disse anteriormente, não mudaria em nada tudo o que vivemos e ainda bem que eu não sabia qual seria o último dia, pois eu com certeza faria alguma bobagem para ir “junto”… Ainda nutro a esperança de te ver um dia e isso que me segura em alguns momentos de desespero. Antes a esperança do que a certeza de que se eu partir agora, nunca mais te verei…

Muitos falam que você foi apenas uma cachorra… Mas só eu sei a tristeza que sinto ao voltar para casa e não ter você ali, latindo e sempre pronta para um abraço e um beijo, que me diziam com sinceridade “Que bom que você voltou, senti sua falta…”

Mika, espero que tudo esteja bem e você esteja brilhando muito. Não sei se nos encontraremos de novo, mas guardarei sempre o meu maior amor para você. Sonho com nosso reencontro e que tenhamos mais tempo para abraços e beijos, como nós dois aprendemos e tínhamos como regra… Te amo para sempre!