Hoje completo trinta e seis anos de idade. Sonhador, careca, gordinho, confessor e poeta…

Eu até queria escrever uma longa confissão de como me sinto com essa idade, mas não posso ser hipócrita. Pois estou escrevendo esse texto ainda com 35. Como será a vida aos 36? Uma mudança de um ano muda tanto? Eu particularmente acho que muda. Sempre brinco que a maior mudança foi dos 29 para os 30, pois eu acordei naquele aniversário com uma dor absurda nas costas. Mas acho que o mais impactante é que tanta coisa acontece em um ano, por mais rápido que você o viva, que inevitavelmente mudamos muito.

Meu aniversário de 35 foi solitário e triste. Apesar de ter viajado com amigos no final de semana anterior, o dia em si foi solitário e cansativo. Naquele 27 de março de 2019 fiz uma promessa de aproveitar melhor o próximo aniversário (já que cairia na sexta-feira) e fazer uma viagem para conhecer um local novo. A ironia de tudo é que não planejei nada durante o ano e todas as opções que via, me davam uma preguiça de ir atrás de mais informações, pagar a viagem e eu fui postergando, postergando… E hoje eu olho e penso “Ainda bem que posterguei! Um problema a menos”.

Logo, os 36 anos serão novamente solitários – dessa vez por força maior.

Mas, pensando nas mudanças pessoais deste “último ciclo” vivido, muita coisa aconteceu. Muita coisa que me arrependi, que não me arrependi, que chorei, que espiei, que planejei, que quebrei a cara, que vivi, que sem querer aconteceu e outras que até hoje eu estou esperando rolar…

Um ano, por pior que seja, te muda drasticamente. Já disse algumas vezes que quando estamos “sozinhos” em um ambiente novo, as coisas acontecem com a velocidade da luz. Amamos e odiamos em uma fração de segundos. Nesses últimos anos descobri que a frase “Te amo e me esqueça” pode soar completamente plausível e completamente utilizável. E olha que nos 30 e poucos anos, nunca havia presenciado isso.

Eu mudei bastante, talvez para pior. Mas talvez algumas coisas eu tenha aperfeiçoado. Tento manter sempre a minha alma leve, pois odeio perder meu sono – e eu durmo cedo, então preciso de um sono longo para a noite toda. Hoje eu acho que brigo muito mais fácil do que antes, mas é uma briga com uma súplica de atenção, pois não quero perder mais nada/ninguém para a fragilidade do mundo.

Prova dessa mudança também, é que se lembrar dos meus planos para os 36, vou pensar que eu morri há bons anos atrás. Tudo mudou, tudo foi ficando cada vez mais distante e outras coisas eu comecei a viver depois de careca e velho.

Enfim, eu faço 36 anos e já que estamos no Um Confessionário, eu acredito que essa minha fase de 35 anos foi a mais importante e deliciosa de escrever. Muitas histórias contadas e criadas nessas linhas tão profundas que eu fico feliz em reler e sentir todo o feeling, o ambiente e as razões que a poesia percorreu em todos os textos e contos.

Que agora com 36 eu continue a dança da lira e da poesia. Que eu me apaixone por um lugar que me faça redefinir a palavra AMOR e que eu possa ser o poeta, mesmo velho, que eu sempre lutei em ser. Que meus cabelos continuem caindo, mas que eu nunca perca o jeito fácil de sorrir e que ele continue sempre brilhando onde quer que eu vá.

Parabéns para mim. Bem-vindo, 36! E fiquemos em casa! 😉