Fazem pouco mais de vinte e seis anos que escrevo minhas redundâncias e pensamentos de forma literal…

Sempre foi uma forma que tive em demonstrar meus sentimentos/pensamentos/vontades/alegrias/tristezas/ em papel bonito ou não, marcado ou limpo e cru. Claro que foi por causa do que pensava ser o “Amor” que iniciei nessa jornada entre linhas tortas e apaixonantes. Foi por causa desse “Amor”, que criava versos e foi por causa desse “Amor” que criei minha primeira poesia…

Não a tenho mais, foi perdida no tempo como muitos dos meus outros textos iniciais. Mas lembro quase perfeitamente dela. Afinal, a primeira sempre será única e especial para ser completamente esquecida da nossa vida. Era uma poesia baseada na música “Live Forever” do Oasis. O jogo de palavras, a rima, a “velocidade” de cada linha e a forma de construção lembravam a música. Era um pouco triste – E até hoje eu não consigo escrever linhas alegres ou histórias que acabem com um final feliz palpável. Sempre achei que falta sentimento nas pessoas felizes, então exagerava em sentimento por um lado, porque a alegria faltava no outro.

Mas voltando à poesia, nela coloquei toda minha melancolia por amar e não ser correspondido, nela coloquei toda pureza de um amor que nascia em meu peito, coloquei toda minha inocência perante este sentimento aflorado e cantava toda uma esperança que nascia dele. Ela era endereçada para a menina que amava na época. E lutando contra todos os impulsos, a entreguei…

Lembro da cena completa. Nunca quis formalidade, nem me preparei e decorei palavras bonitas para se falar. Simplesmente a chamei e entreguei em um envelope branco e falei “Dentro você vai encontrar todo meu sentimento por você”. Lembro que meus olhos lacrimejaram como os dela. O beijo foi fruto do inevitável…

No dia seguinte, quando ela me viu logo pela manhã, o sorriso foi o resultado mais lindo que poderia sonhar. Momento único de gozo eterno de prazer… Depois daquele verão comecei a cantar as saudades, os sonhos, os pesadelos, a falta que me fazia um sorriso – aquele sorriso. Escrevia muito e todos seguiam a mesma “dona” e o mesmo sentimento. Eram redundantes por natureza, porque assim era a vida na época…

Claro que veio a decepção e a realidade que havia sido apenas um amor de verão. E assim, peguei toda aquela coleção melancólica sobre um “Amor avassalador”, e os joguei fora longe de casa. Para que não tivesse o risco de “tropeçar” com eles no chão de meus caminhos normais.

Hoje, décadas passadas, vejo que continuo o mesmo sonhador e melancólico. Claro que mais frio em certos momentos e situações, mas ainda consigo enxergar traços daquele garoto inocente que ama o sentimento puro em pessoas de sua vida. Percebi, depois de muito errar, que apenas eu preciso entender meus textos e por isso despejo intensidade demais e insignificados misteriosos em minha prosa. Por isso que mesclo fantasias, diálogos e momentos reais para que se crie o cenário perfeito. Nenhuma confissão é 100% verdade, porque descobri que é aí que mora a grande magia. É aí que mora a malícia da poesia e é aí que mora o real significado da vida – nunca saber o que se espera e nunca saber o que é realmente o real em nosso entorno…