Dois homens conversam no aeroporto. São novos amigos se conhecendo, com risadas alegres do puro compromisso de se conhecer alguém…
Eles são “opostos” em todos os sentidos conhecidos. Um é branco como leite. Outro, preto como asfalto. Um americano, outro africano. Mas eles são amigos do acaso de uma viagem de férias, conversaram no hostel que estavam, beberam juntos e criaram dali aquelas amizades que carregamos das viagens – Poderosas, mesmo não sabendo quase nada da outra pessoa. Infinitas, até porque não teremos o dia a dia para desgastar algo que só foi construído com alegria e leveza…
Conversam sobre a noite, as baladas, as músicas e como o cenário muda de tempos em tempos… O americano dita o sucesso, o africano ouve meses depois – e isso é um motivo de piadas sobre o atual presidente. Os dois riem como dois antigos conhecidos, porque uma amizade não precisa de nada mais do que senso de humor e boa dose de alegria. Nada mais.
O americano mostra a carteira de motorista de quando tinha 16 anos, eles riem da cara de bebe dele. O africano mostra a sua identidade com 17 anos, cabelos compridos e o americano diz que ele parece o Bob Marley. Eles riem. As cenas se passam com a leveza e alegria constante e me desapeguei um pouco deles para comer meu café da manhã…
Quando presto atenção novamente, o americano se levanta e checa o horário da sua partida. Abre a carteira e entrega todas as libras para o africano “Você vai usar mais do que eu isso, porque vai voltar para cá mais vezes… Tome!”, o africano agradece mesmo sem saber ocom o que retribuir…
Eles se despedem com o africano prometendo uma visita em fevereiro, por conta do seu aniversário. “Você tem meus contatos… A gente repete a dose lá hein?” diz o americano e continua “Foi um final de semana bem louco, valeu pela parceria! Cara, vê se larga o cigarro… isso vai te matar!” nisso, o africano mete a mão no bolso e tira o seu cigarro eletrônico “pronto, pode pegar e jogar fora para mim… Assim eu largo o cigarro e vivo até a gente se ver de novo!” os dois se abraçam rindo. O americano pega o cigarro e some no fim do corredor rumo ao seu portão.
O africano se senta de novo e fala sozinho “Ta aí um cara legal! Gente boa e me livrou do vício do cigarro… Obrigado cara!” mesmo sabendo que o americano não ouvia, mas ele precisava agradecer por aquele momento. Ele põe seu fone de ouvido e ouve sua música ainda sorrindo.
Eu, do outro lado do corredor, sou o único espectador daquelas cenas. Muitos passaram e não repararam em nada dali, mas nesses simples minutos eu vi a razão da gente viajar, conhecer novas pessoas e dar passos importantes com base nessas novas experiências vividas. Quando a gente olha para o lado e começa um novo capítulo qualquer, sempre aprendemos e nos livramos dos vícios e preconceitos que cultivamos – muitas vezes sem querer – em nossas vidas…
Talvez o africano já tenha voltado a fumar, mas o importante é o primeiro passo e a vontade aparecer. A luta diária é história para outro texto, em outra situação…
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