Quando nada mais fizer sentido, é assim que quero minha vida. Fácil de transportar e nem tão leve para me sacrificar…
Uma das músicas que mais canto nos dias nublados e triste é “Sparkle” do Driving Music. Tirando a ironia da frase que mesclo o significado de uma faísca/brilho com um dia nublado, o refrão diz que “a cidade parou de brilhar e ninguém parece notar…” e é por essa razão que me movo para algo novo. Quando o “tudo” (que na verdade é nada) que tenho perde o brilho de especial e alegria, eu me boto em movimento para algo novo, diferente, desafiador e misterioso.
Foi assim novamente. Depois de um tempo longo parado e enclausurado em mil pensamentos esquisitos, eu decidi fechar as malas, atender o pedido de sempre e ir para novas aventuras.
Minha vida é leve. Aprendi, com todas essas mudanças, seja de cidades, países, vida, pensamentos, amigos, amores e pessoais, que devemos ser leves o suficiente para ser fácil a nossa jornada. Como Kayleigh canta “Empacoto minha mala em um arquivo e me vou de novo…” – Seja um novo ano, seja um novo endereço, seja um novo sonho, mas apenas de ser algo novo, tudo ao redor muda.
São, quase, trinta e seis anos de muitos amores perdidos, de noites perdidas, de risadas erradas e histórias esquecidas. Mas também são os mesmos quase 36 de uma vida dinâmica, de obstáculos derrubados, de me apaixonar pela simplicidade de uma rua, de ver beleza em uma ladeira, de me maravilhar com lugares novos, com significados que antes estavam esquecidos e também de marejar os olhos de tudo o que eu já conquistei.
Eu sempre fui embora. Seja por um final de semana, seja por um pedido de namoro que eu neguei. Seja por deixar a mão de quem me amou, seja por soltar um abraço cedo demais. Eu sempre fui. Mas, na verdade, eu sempre voltei. Voltei para as risadas de sempre. Voltei para os churrascos sem fim. Voltei para as festas ruins que foram transformadas em excelentes lembranças. Voltei para os braços de sempre e os beijos que nunca saíram de moda. Voltei para sorrir em uma manhã ruim e voltei para mostrar que mesmo longe, estou ali perto.
E mais importante. Eu voltei para mostrar que deu certo. Mesmo que a definição de certo e errado, já esteja perdida há tanto tempo que me esqueci delas.
Então eu fui me mover de novo, mas um dia eu volto. Afinal, deixei algumas marcas fortes por aqui e ainda vamos rir de todas essas velhas (ou seriam novas?) lembranças criadas nesses passos com sotaque carregado que tanto foi difícil compreender.
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