Já desisti de lutas que me garantiriam histórias fantásticas e glórias quase eternas. Já me despedi sem querer e também deixei respostas engasgadas que consumiram minha energia…

Desisti de me importar com as intrigas ácidas. Desisti de estender a mão em troca de um sorriso. Desisti de oferecer a atenção para quem invejava a minha luz. Sempre fui de ter pena das pessoas vazias e que criavam uma imagem que sumia no primeiro ponto de sombra. Sempre fui de ter pena das objetivações das ajudas e da falsidade que transbordava entre frases mal ditas. Sempre fui de ter pena das pessoas que pregam mil ideais, mas não lavam a própria mão para comer. Sempre fui de ter pena das amizades fortes que são tão inexistentes que te deixam sozinho em casa durante todo o fim de semana…

Hoje aprecio o nascer do sol e as oportunidades que ele ilumina. Hoje me embriago pela alegria de poder enxergar além dos diálogos. Hoje uso os atalhos descobertos para garantir minutos a mais de um sono leve. Hoje evito a ostentação falsa, planos frágeis, mentiras descaradas e as promessas rasas. Hoje entendo o poder de um abraço e a gargalhada mais leve causada pela mesma história repetida mil vezes, mas que significa o quanto ela é verdadeira. Hoje prefiro uma cerveja com meu salgado no boteco da esquina, tentando falar um idioma novo e honesto, do que a foto bonita e podre que a maioria da gente cria nas redes sociais.

Hoje eu construo minha alegria nas pequenas coisas reais e valiosas, porque as pessoas que eu tenho pena, não enxergam o valor do real – porque essa capacidade passou bem longe dali…