Você me disse que estava apaixonada e era para sempre, mesmo não sabendo explicar o que isso significava…

Você apareceu em um fim de tarde de outono. Aqueles dias que não estão quentes e nem frios. Na verdade, é uma mistura tão boa que comecei a preferir dias assim – o sol mais fraco do verão e a brisa fraca refrescando tudo ao redor. Mas, voltemos ao início… Talvez se não fossem as três cervejas antes você não teria dito nada. Teria guardado para si tal informação – e não que seria um crime ou algo ruim, muito pelo contrário. Mas você disse…

Era um fim de tarde bom. Eu estava ainda pensando no almoço e em todo o caminho até a costa. Houve um silêncio depois que falamos de viagens do passado… E era um silêncio bom. Não um silêncio pesado, daqueles que se pensa em ir embora. Aquele era diferente. Era para aproveitar a vista, a sensação única de relaxamento e também da liberdade do vento, do tempo, do sorriso e dos momentos…

Era um fim de tarde que você me falou que estava apaixonada e era para sempre. Eu criei o silêncio pesado, talvez de propósito, mas criei aquele tempo para nós. Para você pensar melhor e para que eu pudesse entender onde aquilo levaria.

Era um fim de tarde que você compreendeu meu silêncio e explicou que não queria que acabasse assim. Eu sorri, talvez sem saber responder melhor, pois não queria – não poderia – guiar ninguém mais pelo vale que eu resolvi seguir. Solitário, triste, vazio e sem espaços para melhora.

“Eu agradeço muito, mas o problema sou eu e isso não é um clichê…” foi minha resposta depois de todo aquele silêncio que fez o fim de tarde desaparecer…