Sempre fui do mundo. Sempre em movimento. E por mais mudanças que existam, eu sei que vou sentir falta de onde eu já vivi…
Esse é um problema das pessoas que não criam raízes. Estamos em movimento e mudamos de rota, como quem muda o cabelo ou a roupa (e mesmo que eu já nem tenha cabelo, continuo inventando mudanças). Nunca me acomodei com algo que conquistei e fui desafiando todos os limites para criar novas histórias e novos destinos. Nessas mudanças, eu talvez tenha perdido muita coisa, mas que ficaram no “E se…” tão clichê que não cabe como explicação aqui. O importante é que ganhei muitas outras coisas – e por puro egocentrismo, coloco isso como a maior importância.
Sou de Santos e por muitos anos nunca saí de lá. Gosto do ritmo e das particularidades. Por mais que a cidade tenha mudado muito, ainda continuo abrindo um sorriso para as simplicidades e insignificâncias que nunca me farão infeliz. Mesmo esse amor todo não foi capaz de me segurar e fui para Campinas. E lá vivi tantos outros anos. Nunca gostei de Campinas, mas aprendi a suportá-la. Campinas não é uma cidade fácil, ainda mais para quem veio de Santos (que é uma cidade pequena na comparação). O lance de “cidade grande” assusta e constrange ao mesmo tempo. Mas fomos nos entendendo. Mudei meu estilo, mudei um pouco minha visão de mundo e (entre tantas idas e vindas), eu sinto um aperto muito grande cada vez que venho embora.
Morei do Rio de Janeiro também. Foi rápido, insano e, astrologicamente falando, aconteceu o que deveria acontecer. Vivi as loucuras que até hoje duvido ter acontecido, desafiei limites e me arrependi por muitos tantos anos da minha volta para Campinas.
Depois me arrisquei em São Paulo (e Barueri) e ali vivi o caos que alimenta toda aquela cidade. Fui parte e fiz parte, talvez. Fui triste e feliz em um pedaço curtíssimo de tempo. Mas São Paulo me fez ver que no caos há espaço para tudo. Do trânsito caótico para atravessar uma parte, até um beijo tão poderoso que fazia tudo melhor. De você não ter hora para nada, mas encontrar tempo para loucuras nas ruas perdidas do bairro predileto.
E por fim vim para Europa. Ainda sorrio ao lembrar de Coimbra e dos seus belos caminhos. Mesmo Coimbra tendo sido cruel comigo, eu ainda guardo um carinho enorme para a única cidade que tive prazer em caminhar sem destino.
Tive Dublin, que me deu tanta coisa boa (mas tanta coisa boa) que eu não terei anos em vida para agradecer. O problema de Dublin não é apenas o frio. Mas que comigo foi uma montanha russa sentimental. Quando tudo ia bem (ou melhorando) a queda era inevitável. Em Dublin eu descobri a fragilidade dos relacionamentos e das amizades de hoje. Descobri a traição de “amigos”. Descobri a frieza do mundo real (aquele que existe e a gente ignora muitas vezes). Mas, de novo, eu sempre procuro focar na parte que me trouxe coisas boas e alegres. Então eu ainda sinto falta da rotina do frio, das minhas duas luvas para andar de bicicleta, de ficar feliz porque com 4 graus já conseguia ir com apenas uma calça para a academia e por aí vai…
Lisboa me trouxe sol e solidão. Talvez eu que tenha buscado isso tudo, depois do que expliquei acima. Mas eu sinto falta das suas comidas tão únicas. Sinto falta dos vinhos e suas promoções insanas. Até do sotaque que sofria para entender, mesmo morando mais de um ano por lá. Lisboa tem suas ladeiras, mas ela te conquista – talvez pelo cansaço ou talvez por ela saber que é um último suspiro.
E assim vamos… Entre saudades, lembranças e características que cada lugar me trouxe (às vezes com um preço muito alto). Mesmo assim, eu sorrio leve ao lembrar e, como disse anteriormente, vou continuar rindo e glorificando, todos os momentos que cada lugar me fez feliz. Sempre assim…
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