Se 2020 foi um ano que quase não existiu, 2021 continuou a tarefa e criou um ano confuso demais para explicar rapidamente…

2020 foi o ano que descobrimos o conceito de pandemia ao vivo e a cores. O conceito batendo na porta das nossas casas e fomos obrigados a mudar nossa maneira de viver. Seja colocando uma máscara, usando álcool em gel, ou restringindo lugares e momentos das vidas em todo o mundo. Alguns lugares mais rígidos, outros menos, mas todos impactados com as forçadas mudanças que tivemos.

Quando brindamos, quase sozinhos, o ano novo que começava, os planos que ficaram em pausa começaram a brotar em nossas cabeças e corações. Janeiro, fevereiro e março chegaram e novamente mostraram que o ano continuaria o mesmo enredo confuso e instável do ano anterior. Continuamos fechados, impedidos de viajar, de reunir os amigos, de comemorar aniversários, conquistas ou até casamentos. Os bares fecharam e quando abriram, estavam ainda mais diferentes – Ou, muito provavelmente, nós estávamos diferentes.

Lembro que quando tudo reabriu “de vez” (e até hoje ainda não consigo enxergar uma volta 100% ao que era antes), eu me assustei com a falta de máscara, com as “aglomerações saudáveis” e ainda busco o álcool para passar na mão quando entro em algum lugar. Se vejo uma aglomeração qualquer, desvio do caminho e tento me desvencilhar. É estranho, mas mesmo querendo a volta ao normal, sei que vai demorar um tempo para me acostumar.

A frustração de planejar, comprar e ver tudo postergando novamente me fez rever meus conceitos. Desisti de planejar o futuro e vivo apenas pensando em bimestres. Sendo assim, em fevereiro pensei até março, depois abril, maio e assim por diante. Foi algo que me ajudou bastante e consegui gerenciar e conviver com as várias alterações e restrições criadas/recriadas.

“Finalmente” a vacina chegou e em julho ganhei meu “Passaporte Covid” para poder viajar novamente sem a necessidade de colocar um pau no nariz e pagar por isso. Viajando por aí, percebi que cada país tinha suas angústias e nervosismos diferentes. Uns mais restritivos, outros bem menos e havia ainda espaço para ver que vários lugares pareciam “ignorar” tudo o que havia passado nos últimos meses. Novamente tive aquele medo que comentei acima e lembro de ficar incrédulo com algumas situações. Sei que estou sendo redundante aqui e talvez seja um sentimento errado (afinal, com a vacinação as coisas vão melhorando e passamos a ficar mais “resistentes” ao vírus), mas é simplesmente uma falta de costume e um medo (real?) de voltar tudo ao início desse pesadelo de quase 2 anos…

2021 foi um ano sem planos, mas longe de ser um ano desperdiçado. Apesar da maior parte do tempo apenas ter vivido e esperado tudo passar, foi um ano importante na minha vida. Completei meu primeiro “ciclo olímpico” de Europa (4 anos) e estou pronto para o próximo. Foi um ano que voltei a viajar, mas ainda assim de forma bem tímida, mesmo que os preços fossem convidativos. Foi um ano que aproveitei a cidade que escolhi para viver e reunindo os poucos e bons amigos para celebrar os pequenos marcos criados na vida. Foi quando tive vontade de comemorar meu aniversário pela primeira vez por aqui, foi quando completei meu primeiro ano de Barcelona e foi quando eu consegui perceber que as amizades criadas por aqui começaram a fazer sentido. E isso, é o mais importante quando já se tem uma certa idade…

Para 2022 não ouso planejar. Apenas espero que todos os eventos adiados desde 2020 possam finalmente acontecer.

E desejo para todas as pessoas que chegaram até aqui, que a gente se acostume com esse novo normal e não se assuste com pessoas celebrando a vida novamente. Que 2022 seja repleto de reconquistas e que a gente tenha aprendido a valorizar as pequenas coisas que, com ou sem pandemia, são eternamente mais fortes e importantes nas nossas vidas.

E que tenhamos mais poesias e confissões a fazer…

Feliz ano novo! Feliz 2022!