Ainda não consigo desassociar esse dia de você. E impressionante como ainda lembro novos detalhes…
São dois dias que separam nossos aniversários. Dois dias que poderiam nos fazer próximos o suficiente para sermos iguais, mas que sempre foi o responsável de uma avalanche de diferenças colossais e bizarramente indecifráveis. Toda vez que olho para um azul claro, consigo sentir a ansiedade de vê-lo da minha janela, nas férias ou feriados que ansiava em te reencontrar. Toda vez que caminho por aquelas ruas tão conhecidas e tão distantes de mim, ainda relembro o caminho para minha casa mais especial que tive nos últimos anos. E ainda lembro detalhes tontos de cartas não enviadas, de comentários soltos, de olhares suplicantes e de um beijo elétrico o suficiente que me fez paralisar por anos e anos…
Já desisti de te procurar. Já cansei de buscar significados em músicas que nem tocam mais. Já não escrevo como antes. Já não tenho o mesmo sorriso e nem os traços que você me confessou serem o grande motivo das suas vontades. Já não somos nem um ponto do que fomos na nossa adolescência, mas ainda e para sempre, a maldita data do aniversário – tão próxima de terminar meu infernal astral – continuará martelando a minha cabeça com sonhos, com lembranças e com a pergunta que sempre fiz: Por que terminou assim?
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